Bloomberg — Um indicador que sinaliza a busca por proteção contra uma alta do dólar despencou aos menores níveis em mais de seis anos no mercado de opções de câmbio no Brasil, conforme os operadores elevam as chances de vitória de Flávio Bolsonaro na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Palácio do Planalto em outubro.
O ‘risk reversal’ do real — indicador do mercado de opções que compara o custo de proteção contra uma alta e uma queda da moeda — afundou na quarta-feira ao patamar mais baixo desde fevereiro de 2020, época da pandemia da Covid, para 1,41%, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.
O comportamento do indicador, que também acompanha a queda vista no risk reversal de peso mexicano, peso colombiano e rand sul-africano, sugere uma redução significativa dos receios de uma onda de aversão ao risco que leve investidores a buscar proteção no dólar.
“O estreitamento da liderança de Lula nas pesquisas recentes teve o seu reflexo mais claro no viés de volatilidade das opções de câmbio, ou seja, o custo de se proteger contra alta do dólar em comparação a uma baixa está em queda”, disse Olga Yangol, chefe de pesquisa econômica e estratégia para mercados emergentes do Crédit Agricole.
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Nas últimas semanas, houve um movimento “bem forte de venda do ‘risk reversal’ com as pesquisas”, segundo Diego Pagano, trader de volatilidade da mesa proprietária do Banco Bradesco. “O mercado começou a atribuir maior probabilidade de dólar para baixo, aumentando a busca por opções de venda para fazer essas apostas”, afirmou.
O dólar fechou a quarta em leve alta, perto do patamar de R$ 5,11.
A pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada na terça apontou que Flávio lidera eventual disputa de segundo turno contra Lula, 46% a 45%. O candidato pelo PL já havia aparecido numericamente à frente do petista em levantamento PoderData/Aya.
A moeda também segue atrativa diante da taxa Selic elevada, atualmente em 14%, e da volatilidade mais contida, disse o trader do Bradesco. “O chamando ‘carry-to-vol’ do real está muito bom e tem tido bastante entrada de investidor internacional”, afirmou Pagano. Atualmente, a relação entre carrego e volatilidade de um mês do real está em 0,43, em linha com pares como México e Colômbia.
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Assimetria
O risk reversal sugere ainda uma assimetria para a trajetória do dólar, apontando que uma apreciação do real pode ser mais significativa do que uma depreciação da moeda brasileira após as eleições.
O estrategista de juros e câmbio para América Latina da Bloomberg Intelligence, Davison Santana, afirma que o indicador sinaliza um “crescente desequilíbrio no ‘hedge’ para a eleição”, conforme as opções de câmbio adentram mais a janela do pleito.
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A expectativa é que uma vitória da oposição deva engatilhar “um rali maior do câmbio do que um ‘selloff’ devido a uma vitória de Lula”, escreveu Santana.
Entre os fundos locais, a Ibiuna Investimentos detém uma posição favorável ao real via opções. A gestora disse em carta mensal de gestão que opera opções para se beneficiar de eventual mudança de política econômica após as eleições. A Ace Capital também está vendida em dólar por meio de opções.
“Concordo que o potencial de ganho com uma vitória de Flávio é maior do que a perda potencial no caso de vitória de Lula”, disse Brendan McKenna, estrategista para mercados emergentes do Société Générale. “O crescimento de Flávio reduz a demanda por uma proteção contra a alta do dólar agora.”
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