Bloomberg — As ações do Agibank caíam até 10% nesta quarta-feira (11) depois que a fintech levantou US$ 240 milhões em sua oferta pública inicial (IPO) na Bolsa de Nova York (NYSE) - a primeira nesse mercado desde o Nubank em dezembro de 2021.
A estreia na NYSE coroa - até aqui - a trajetória empreendedora de Marciano Testa, que fundou o Agibank há mais de 20 anos e que segue como acionista controlador e presidente do conselho.
As ações (AGBK) do banco digital com sede em Campinas, no interior paulista, abriram a US$ 11 cada uma.
E operavam negociadas a US$ 10,75 às 15h15 no horário de Nova York, com queda de mais de 10% em comparação com a precificação a US$ 12.
O S&P 500 operava com leve alta no mesmo horário.
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A oferta de 20 milhões de ações foi anunciada em uma faixa de US$ 12 a US$ 13 cada, ambas reduzidas ante a previsão inicial de US$ 15 a US$ 18.
A negociação atribui ao Agibank um valor de mercado de US$ 1,76 bilhão com base nas ações em circulação listadas em seus documentos.
O negócio revisado teve subscrição superior à oferta, disseram à Bloomberg News pessoas familiarizadas com o assunto anteriormente - mas a preços mais baixos, portanto.
O IPO foi concretizado em momento menos favorável do mercado americano, que se refletiu na queda nas ações do PicPay, fintech brasileira com modelo de negócios distinto ao do Agibank, tanto em termos de público-alvo como de canal de distribuição - plataforma digital versus agências físicas.
O PicPay levantou US$ 434 milhões em seu IPO na Nasdaq no fim de janeiro e as ações caíram cerca de 20% desde então.
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O Agibank contava com quase 6,4 milhões de clientes ativos em 30 de setembro de 2025, conforme mostrado nos documentos regulatórios para o IPO.
A empresa foi avaliada em R$ 9,3 bilhões de reais (US$ 1,79 bilhão) em sua rodada mais recente em dezembro de 2024, quando recebeu um aporte de R$ 400 milhões da Lumina Capital Management, gestora de Daniel Goldberg.
Outro investidor relevante, que aportou R$ 420 milhões no fim de 2020, foi a Vinci Compass, uma das maiores gestoras em ativos alternativos da América Latina.
O Agibank reportou um lucro líquido de R$ 1,1 bilhão nos 12 meses até setembro, com um retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) de 40,9%.
Um de seus principais negócios é fornecer crédito consignado público, no caso, empréstimos a trabalhadores aposentados com direito ao INSS.
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