Bloomberg — As ações internacionais e futuros dos EUA registraram novas perdas no início desta quinta-feira (5) enquanto o petróleo Brent retomou sua trajetória de alta, enquanto a guerra no Oriente Médio causa crescentes interrupções nos mercados de energia. O dólar se valorizou.
Os futuros do S&P 500 caíram 0,3%. O índice europeu Stoxx 600 recuou 0,2%. Um índice de referência para ações asiáticas reduziu uma alta anterior de até 3,8%. O Brent subiu para perto de US$ 84 o barril depois que o Irã prometeu intensificar sua retaliação contra os ataques dos EUA. O dólar subiu 0,3%, fortalecendo-se em relação a todas as principais moedas.
Os desdobramentos da guerra entre EUA e Irã estão, mais uma vez, levando os investidores a reduzir o risco após a melhora do sentimento na sessão anterior.
Com o prolongamento do conflito, a tensão nos mercados de energia vem à tona, com a China buscando conservar combustível e refinarias japonesas pressionando pela liberação de reservas estratégicas de petróleo.
“A questão principal é a passagem pelo Estreito de Ormuz. Se o bloqueio durar mais de uma semana, o risco de preços elevados e sustentados da energia se tornará real”, disse Roberto Scholtes, chefe de estratégia do Singular Bank. “Se a situação for resolvida rapidamente, o impacto econômico e financeiro provavelmente será insignificante.”
A onda global de vendas de títulos não mostrou trégua, com o rendimento dos títulos do Tesouro americano de 10 anos subindo pelo quarto dia consecutivo, três pontos-base, para 4,13%. A queda foi mais acentuada na Europa, onde os rendimentos dos títulos de 10 anos subiram cinco pontos-base ou mais no Reino Unido, França, Itália e Espanha.
O ouro subiu ligeiramente acima de US$ 5.150 a onça. O Bitcoin se manteve próximo a US$ 72.400.
O que dizem os estrategistas da Bloomberg: “O destino das ações europeias está amplamente ligado aos desenvolvimentos no setor energético, e os preços estão mais propensos a subir do que a cair neste momento. Nesse cenário, qualquer recuperação terá dificuldade em se sustentar. No mercado de taxas de juros, o impacto dos preços mais altos da energia continua a ser sentido, com rendimentos mais elevados em toda a curva europeia.”— Adam Linton, estrategista macro.
Veja a seguir outros destaques desta manhã de quinta-feira (5 de março):
- China reduz meta de crescimento. A China estabeleceu sua meta de crescimento mais modesta desde 1991, um reconhecimento tácito de que o modelo que impulsiona a ascensão econômica do país está mostrando tensões. A meta - uma faixa de 4,5% a 5% - é a primeira redução formal desde 2023.
- Aéreas sob pressão. O setor de aviação global tem sido abalado por problemas financeiros e logísticos ligados à guerra do Irã. O número de voos cancelados para centros do Oriente Médio ultrapassa 23.000 desde o início dos combates.
- Broadcom avança em chips. O CEO da empresa de tecnologia de ponta, Hock Tan, disse que espera que suas vendas de chips de inteligência artificial cheguem a US$ 100 bilhões no próximo ano, marcando uma importante incursão no território dominado pela Nvidia.
🔘 As bolsas ontem (04/03): Dow Jones Industrials (+0,49%), S&P 500 (+0,78%), Nasdaq Composite (+1,29%), Stoxx 600 (+1,37%), Ibovespa (+1,24%)
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-- Com informações da Bloomberg News.
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