Ações globais sobem enquanto Trump pressiona pela reabertura do Estreito de Ormuz

Investidores monitoram sinais de reabertura da rota crucial do petróleo enquanto aguardam decisões de juros de alguns dos principais bancos centrais nesta semana

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Bloomberg — As ações globais operam em leve alta nesta segunda-feira (16), enquanto traders aguardam sinais de reabertura do Estreito de Ormuz e uma série de reuniões de bancos centrais nesta semana.

Os contratos do índice S&P 500 avançaram 0,5% — apontando para o primeiro ganho em cinco dias do indicador — depois que o presidente Donald Trump aumentou a pressão sobre países para ajudar a reabrir a importante rota do petróleo e disse que os EUA estavam em conversas com o Irã. O índice Stoxx 600 da Europa subiu 0,1% e o dólar recuou.

A negociação no mercado de petróleo foi volátil, com o Brent chegando a US$ 106,50 por barril após ataques dos EUA a alvos militares na ilha de Kharg, terminal responsável por quase todas as exportações de petróleo do Irã. Depois, o Brent reduziu os ganhos e era negociado a US$ 105,89.

A alta do petróleo desde o início da guerra elevou os rendimentos dos Treasuries e reduziu as apostas em cortes de juros, diante do aumento das preocupações com a inflação. Investidores aguardam orientações sobre taxas de juros nesta semana de bancos centrais como o Federal Reserve, o Banco Central Europeu, o Banco do Japão e o Banco da Inglaterra.

“O mercado está tentando se estabilizar, mas ainda não se tornou otimista”, disse Charu Chanana, estrategista-chefe de investimentos da Saxo Markets. “As ações podem reagir positivamente a qualquer sinal de reabertura de Ormuz, mas, com novas ameaças de ataques e uma diplomacia ainda irregular, a convicção é baixa e o posicionamento tende a permanecer muito volátil.”

O petróleo Brent atingiu o nível mais alto desde 2022.

Os títulos do Tesouro dos EUA avançaram, com o rendimento do papel de 10 anos recuando dois pontos-base, para 4,26%, caminhando para a primeira queda em cinco sessões. O ouro oscilou perto de US$ 5.000 por onça, enquanto a prata ampliou as perdas pelo quarto dia consecutivo.

O Irã afirmou que não pediu negociações nem cessar-fogo, enquanto o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, disse que o Estreito de Ormuz estava fechado apenas para navios de “inimigos”. Dois navios-tanque transportando gás liquefeito de petróleo para a Índia atravessaram o estreito — rota por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo mundial.

Trump ameaça adiar encontro com Xi se a China não ajudar em Ormuz.

O presidente dos EUA pediu que outros países enviem navios de guerra para manter o Estreito de Ormuz aberto, mas não apresentou detalhes nem compromissos do lado americano. Ele disse esperar a participação de China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido.

“Grande parte do prêmio geopolítico já foi precificada na semana passada, então os traders parecem estar esperando sinais mais claros de perda efetiva de oferta antes de elevar os preços de forma mais significativa”, disse Haris Khurshid, diretor de investimentos da Karobaar Capital LP, em Chicago. Após o ataque a Kharg, “parece que o mercado está precificando uma interrupção, e não um choque total de oferta”, afirmou.

A administração Trump planeja anunciar já nesta semana que formou uma coalizão com vários países para escoltar navios pelo estreito, informou o Wall Street Journal no domingo. Ainda está em discussão, no entanto, se a operação começaria antes ou depois do fim dos ataques com mísseis, segundo o jornal.

“A maioria no mercado ainda está extremamente cautelosa, já que o governo Trump é imprevisível em relação ao que fará ou dirá”, disse Nick Twidale, analista-chefe de mercado da AT Global Markets, em Sydney.

Veja a seguir outros destaques desta manhã de segunda-feira (16 de março):

- Impacto da guerra. O conflito no Oriente médio ameaça provocar o pior impacto nas economias do Golfo desde os anos 1990, sobretudo se a interrupção do Estreito de Ormuz se prolongar. Segundo o Goldman Sachs, o PIB do Catar e do Kuwait pode cair até 14%, enquanto Arábia Saudita e Emirados Árabes teriam retrações menores.

- BioMap mira IPO em Hong Kong. A startup de IA aplicada a ciências da vida apoiada pela Baidu entrou com um pedido confidencial de IPO em Hong Kong, segundo pessoas familiarizadas com o assunto que falaram à Bloomberg News. A empresa trabalha com CICC, Morgan Stanley e UBS na oferta.

- Venezuela pós-invasão de Trump. A promessa de prosperidade após a saída de Nicolás Maduro ainda não se concretizou para os venezuelanos dois meses após a invasão americana no país. A produção de petróleo caiu 21%, a escassez de dólares aumentou e a inflação anual acelerou para cerca de 600%.

🔘 As bolsas na sexta-feira (13/03): Dow Jones Industrials (-0,26%), S&P 500 (-0,60%), Nasdaq Composite (-0,93%), Stoxx 600 (-0,50%), Ibovespa (-0,91%)

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-- Com informações da Bloomberg News.

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