Ações globais recuam com liquidação de títulos e alta do petróleo; ouro cai mais de 2%

Mercado amplia aversão ao risco após salto dos rendimentos dos títulos e ausência de acordo para normalizar fluxo de petróleo em Hormuz

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Bloomberg — As ações globais operam em queda nesta sexta-feira (15), após uma ampla liquidação nos mercados de títulos interromper de forma abrupta a alta impulsionada pela inteligência artificial.

Os rendimentos dos títulos avançaram nas Américas, Europa e Ásia à medida que aumentaram as dúvidas sobre quando o fornecimento de petróleo do Oriente Médio voltará à normalidade.

Dados fortes de inflação no atacado no Japão trouxeram um novo alerta sobre as pressões de preços que se acumulam na economia global.

A taxa dos Treasuries de 10 anos ampliou a alta e superou 4,5%. O rendimento dos títulos japoneses de 30 anos atingiu 4% pela primeira vez desde 1999. A turbulência política no Reino Unido intensificou a venda de gilts, com o rendimento dos papéis de 10 anos avançando 13 pontos-base, para 5,12%.

Os futuros do Nasdaq 100 caíram 1,5%, enquanto os do S&P 500 recuaram 1%. As perdas apontam para um fim de semana negativo após uma semana em que fabricantes de semicondutores lideraram uma alta concentrada das ações, apesar da elevação contínua dos rendimentos dos títulos e da ausência de um acordo entre EUA e Irã para reabrir o Estreito de Ormuz.

A inflação ao produtor disparou e reforçou o caminho de alta para o CPI | Rendimentos dos títulos seguem pressionados para cima, destacando uma ameaça gradual às ações

Sem que a reunião entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, apresentasse uma solução para retomar o fluxo pelo estreito, o impasse entre EUA e Irã voltou ao centro das atenções. Agora, investidores acompanham os próximos passos dos dois países após mais de dois meses de guerra.

“Não há dúvida de que o movimento de alta foi extremamente forte e que o risco de uma correção existe”, disse Paul Skinner, da Wellington Management, à Bloomberg TV. “Com os mercados de títulos instáveis, o problema da inflação e a falta de solução para o Estreito de Ormuz após a cúpula, acredito que ainda haverá bastante volatilidade.”

O petróleo Brent subiu 3%, para acima de US$ 109 por barril. Helima Croft, chefe global de estratégia de commodities do RBC Capital Markets, descreveu como “pensamento mágico” a expectativa de que o Estreito de Ormuz volte a operar normalmente dentro do próximo mês.

🔘 As bolsas ontem (14/05): Dow Jones Industrials (+0,75%), S&P 500 (+0,77%), Nasdaq Composite (+0,88%), Stoxx 600 (+0,76%), Ibovespa (+0,72%)

Veja a seguir outros destaques desta manhã de sexta-feira (15 de maio):

- O repasse de Vorcaro. O senador Flávio Bolsonaro disse em entrevista à GloboNews que os recursos pagos pelo banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre seu pai foram para um fundo administrado nos EUA pelo advogado de seu irmão, Eduardo Bolsonaro. Ele negou que o dinheiro tenha beneficiado o irmão.

- M&A no luxo. A LVMH, dona da Louis Vuitton, Christian Dior e Loewe, concordou em vender a marca Marc Jacobs para a joint venture entre a WHP Global e o G-III. O grupo francês se desfaz da marca de luxo acessível em meio à desaceleração da demanda global por produtos de alto padrão.

- Novo horizonte para o dólar? Um índice da moeda americana subiu mais de 1% nesta semana após dados de inflação acima do esperado nos EUA reforçarem apostas de alta de juros pelo Fed ainda neste ano. Investidores veem o dólar como um ativo mais seguro em meio à volatilidade geopolítica e energética.

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-- Com informações da Bloomberg News.

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