Ações globais operam em queda com ameaças de Trump à Europa; ouro sobe quase 3%

Escalada da tensões entre EUA e Europa aumenta a aversão ao risco, derruba bolsas e impulsiona a busca de investidores por ativos considerados mais seguros, como o ouro

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Bloomberg — As ações globais ampliaram as perdas nesta terça-feira (20), à medida que o impasse entre os EUA e a Europa sobre o controle da Groenlândia não mostrou sinais de arrefecimento.

Uma forte venda de títulos japoneses se espalhou pelos mercados globais de renda fixa. As bolsas europeias recuaram 1,2%, aprofundando as perdas após o pior dia do Stoxx 600 em dois meses.

A queda de 1,7% nos futuros do S&P 500 em relação ao fechamento de sexta deixou o índice de referência prestes a apagar os ganhos no ano. As ações asiáticas caíram 0,5%.

A ofensiva do presidente dos EUA, Donald Trump, para assumir o controle da Groenlândia injetou nova volatilidade nos mercados, reacendendo temores de um confronto comercial entre aliados tradicionais, sem sinais de compromisso.

Aumentando as tensões, Trump ameaçou durante a noite impor tarifas elevadas sobre o champanhe após o presidente francês, Emmanuel Macron, descartar a adesão a uma iniciativa de paz liderada pelos EUA.

Futuros do S&P 500 apagam ganhos de 2026A liquidação das ações se intensificou após um colapso nos títulos de longo prazo do Japão. Os rendimentos subiram à medida que investidores reagiram negativamente à promessa eleitoral da primeira-ministra Sanae Takaichi de cortar impostos sobre alimentos, com a taxa dos Treasuries de 30 anos saltando nove pontos-base, para 4,93%, enquanto os mercados de dívida ao redor do mundo ficaram sob pressão.

“Estamos em um período de escalada neste momento, então o mercado teve de reagir a essa situação”, disse Nicolas Bickel, chefe de investimentos de private banking do Edmond de Rothschild. “Teremos alguns dias de incerteza.”

A demanda por metais preciosos disparou com investidores buscando proteção, levando o ouro acima de US$ 4.700 a onça pela primeira vez. A prata também atingiu um novo recorde. Um índice do dólar caiu para a mínima em duas semanas.

O que dizem os estrategistas da Bloomberg:

“A mensagem dos mercados aos formuladores de políticas é inequívoca: se você planeja gastar mais sem novas receitas para sustentar essa ambição, esteja preparado para ver os rendimentos subirem bastante.

“E, considerando o quão implacáveis os vigilantes globais dos títulos parecem estar neste momento, essa mensagem não será diluída nem mesmo se os mercados forem pressionados por preocupações com crescimento diante da perspectiva de novas tarifas ligadas às demandas dos EUA pela Groenlândia.”

Veja a seguir outros destaques desta manhã de terça-feira (20 de janeiro):

- GSK reforça aposta em imunologia. A gigante farmacêutica concordou em comprar a Rapt Therapeutics por US$ 2,2 bilhões. O negócio inclui o ozureprubart, potencial tratamento para alergias alimentares com dosagem trimestral, e busca fortalecer o foco da GSK em imunologia e doenças inflamatórias.

- Wise supera projeções. As ações da fintech subiam 13% na manhã desta terça-feira após a divulgação de um guidance otimista de lucros e a reafirmação dos planos de transferir sua listagem principal para os EUA no primeiro semestre. No trimestre encerrado em dezembro, a receita somou £ 424,4 milhões, acima das projeções.

- ‘Conselho de paz’ de Trump. O presidente americano atacou Emmanuel Macron após a França recusar aderir à sua iniciativa de paz e ameaçou impor uma tarifa de 200% sobre vinhos e champanhes do país. Trump tenta pressionar aliados europeus a integrar o seu Conselho que pretende liderar.

🔘 As bolsas ontem (19/01): Dow Jones Industrials (-0,17%), S&P 500 (-0,06%), Nasdaq Composite (-0,06%), Stoxx 600 (-1,19%), Ibovespa (+0,03%)

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-- Com informações da Bloomberg News.

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