Bloomberg — As ações globais operam em queda nesta terça-feira (1º), enquanto os rendimentos dos títulos mantêm a trajetória de alta, com os investidores ampliando as apostas de que os bancos centrais elevarão os juros já neste mês.
Os futuros do S&P 500 caíram 0,5%. Os do Nasdaq 100 recuaram 0,9%, com perdas entre diversas ações ligadas à expansão global da infraestrutura de inteligência artificial. O rendimento dos títulos japoneses de dez anos atingiu o maior nível deste século, enquanto o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, aumentou a pressão sobre o Banco do Japão para que aperte a política monetária diante de uma nova rodada de enfraquecimento do iene.
Os Treasuries caíram em todos os vencimentos, com a taxa dos títulos de dez anos atingindo o maior nível desde janeiro de 2025. Os rendimentos dos papéis de 30 anos ampliaram sua permanência acima de 5%, que já é a mais longa desde 2006. Os gilts britânicos tiveram desempenho bem inferior ao dos demais títulos europeus.
As preocupações com possíveis interrupções no fluxo de energia pelo Estreito de Ormuz levaram o petróleo Brent a superar US$ 92 por barril, aumentando as pressões sobre um cenário inflacionário já desafiador. Os investidores elevaram para cerca de 70% a probabilidade de uma alta dos juros nos EUA em setembro, dando continuidade à reprecificação iniciada na semana passada, quando o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, reiterou seu compromisso de conter a inflação.
Os investidores exigem uma compensação cada vez maior para manter títulos em carteira, à medida que se intensificam as preocupações com os elevados gastos públicos, a inflação persistente e o forte aumento do endividamento corporativo para financiar a expansão global da infraestrutura de IA. A alta dos rendimentos dos títulos de prazo mais longo atingiu com especial intensidade as fabricantes de chips, depois que essas empresas responderam pela maior parte dos ganhos do S&P 500 neste ano.
Os investidores em ações “deveriam estar muito mais preocupados com a alta dos rendimentos dos títulos de longo prazo, especialmente nos EUA”, disse Joachim Klement, estrategista da Panmure Liberum. “As persistentes pressões inflacionárias e a postura mais dura de Kevin Warsh em Jackson Hole na semana passada apontam para novas altas.”
🔘 As bolsas ontem (31/08): Dow Jones Industrials (-0,70%), S&P 500 (-0,33%), Nasdaq Composite (-0,12%), Stoxx 600 (-0,62%), Ibovespa (+1,0%)
Veja a seguir outros destaques desta manhã de terça-feira (1º de setembro):
- Shein após IPO em Hong Kong. As ações da varejista de fast fashion fecharam praticamente estáveis em sua estreia na bolsa de Hong Kong, após chegarem a cair 10% no início do pregão. O IPO levantou US$ 1,7 bilhão e avaliou a companhia em pouco mais de US$ 26 bilhões, uma fração dos quase US$ 100 bilhões de 2022.
- Novo patamar para a IA da Baidu? A companhia projeta que a margem de lucro de seus negócios de inteligência artificial se equipare, no curto prazo, à da operação tradicional de buscas, disse o CFO Henry He à Bloomberg Television. A receita ligada à IA já representa mais da metade das vendas da companhia.
- Apple acusa OpenAI de destruir provas. A fabricante do iPhone intensificou a disputa judicial contra a OpenAI ao alegar que a empresa de IA destruiu provas e utilizou segredos comerciais levados por um ex-engenheiro da Apple. A OpenAI nega que os documentos tenham relação com o trabalho do ex-funcionário na empresa.
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-- Com informações da Bloomberg News.
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