Ações globais caem após Irã rejeitar cessar-fogo dos EUA; petróleo sobe mais de 3%

‘A questão é que ainda há muita dúvida sobre se um acordo entre EUA e Irã pode ser alcançado, dado que o Irã rejeitou publicamente os EUA em várias ocasiões', escreveu Jim Reid, do Deutsche Bank

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Bloomberg — As ações globais caem nesta quinta-feira (26), após o Irã rejeitar a proposta de cessar-fogo defendida pelo governo Trump. O petróleo WTI sobe mais de 3%.

O movimento reacendeu temores inflacionários e elevou os rendimentos globais, com os mercados passando a precificar uma política monetária mais restritiva. Os rendimentos dos Treasuries de dois anos subiram cinco pontos-base, para 3,94%. O ouro caiu abaixo de US$ 4.500 a onça e o dólar ficou praticamente estável.

O impasse sobre a desescalada no Oriente Médio fez o Irã rejeitar a insistência da Casa Branca de que as negociações de paz estão em andamento e apresentar suas próprias condições. Ao mesmo tempo, o parlamento iraniano começou a elaborar legislação para impor uma taxa a embarcações que busquem passagem pelo Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o petróleo que, na prática, está interrompida desde o início do conflito.

“A questão é que ainda há muita dúvida sobre se um acordo entre EUA e Irã pode ser alcançado, dado que o Irã rejeitou publicamente os EUA em várias ocasiões”, escreveu Jim Reid, do Deutsche Bank.

“Isso fez com que os mercados se tornassem cada vez mais céticos em relação a manchetes positivas do lado americano, já que não vimos sinais semelhantes por parte do Irã.”

Disparada do petróleo

O presidente da BlackRock, Rob Kapito, afirmou que os investidores podem estar subestimando os riscos decorrentes da guerra com o Irã, que tendem a pesar sobre o crescimento econômico e a elevar a inflação, mesmo que o conflito termine em breve.

O petróleo ainda pode subir para US$ 150 por barril mesmo “se anunciarmos amanhã que a guerra acabou”, já que levaria tempo para que as cadeias de suprimento interrompidas retornem à plena capacidade, disse Kapito em Melbourne, na quinta-feira.

“O que acontece se essa disrupção durar uma semana, seis meses, um ano — o que isso vai significar para as empresas que eu possuo?”, disse Kapito. “Minha maior preocupação é que as pessoas não estão olhando para isso — estão apenas assumindo” um cenário otimista.

Veja a seguir outros destaques desta manhã de quinta-feira (26 de março):

- Crise no luxo atinge nova fase. A Dolce & Gabbana iniciou negociações com credores após a queda da demanda global por luxo pressionar os lucros. A empresa, com cerca de € 450 milhões em dívidas, busca flexibilizar acordos enquanto trabalha com a Rothschild como assessora finaceira.

- Novo patamar para o petróleo? Autoridades do governo Trump avaliam cenários extremos, incluindo o petróleo a US$ 200 o barril. A Casa Branca nega que esse nível esteja sendo considerado, enquanto mantém discurso de confiança na economia e nos mercados de energia. A alta recente do petróleo já pressiona inflação.

- Risco oculto nos mercados. O ex-CEO do Goldman Sachs, Lloyd Blankfein, alerta que o o acúmulo de ativos privados não vendidos nos balanços dos investidores é um sinal de que alguns podem estar supervalorizados. Segundo ele, quanto mais tempo sem crises, maior o risco de um ajuste mais amplo.

🔘 As bolsas ontem (25/03): Dow Jones Industrials (+0,66%), S&P 500 (+0,54%), Nasdaq Composite (+0,77%), Stoxx 600 (+1,42%), Ibovespa (+1,6%)

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-- Com informações da Bloomberg News.

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