Ações de tecnologia pressionam mercados globais com dúvidas sobre retorno da IA

Queda de tech reflete incertezas sobre retorno dos investimentos em IA após notícia sobre a OpenAI; petróleo avança acima de US$ 110 o barril

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Bloomberg — As ações de tecnologia lideram a queda dos mercados acionários nesta terça-feira (28), pressionadas por novas dúvidas sobre o retorno dos investimentos em inteligência artificial, enquanto o petróleo avança com o Brent acima de US$ 110 diante do fechamento do Estreito de Ormuz.

O setor de tecnologia perdeu força após o Wall Street Journal noticiar que a OpenAI recentemente não atingiu suas próprias metas de aquisição de usuários e vendas. O SoftBank Group, um dos principais investidores da dona do ChatGPT, caiu 9,9% em Tóquio. Um índice do setor em Hong Kong teve sua maior queda no mês. Os futuros do Nasdaq 100 recuaram 0,3%, enquanto os do S&P 500 ficaram praticamente estáveis.

As ações de tecnologia passam por uma pausa após uma alta recorde das fabricantes de chips que levou o S&P 500 a avançar quase 10% neste mês. O otimismo renovado com a inteligência artificial sustentou boa parte desse movimento, enquanto o restante do mercado ficou para trás devido à alta do petróleo. O rali enfrenta um teste importante na quarta-feira, quando quatro das empresas do grupo conhecido como Magnificent Seven divulgam resultados.

“O item mais importante não é receita nem margem, mas capex”, disse Amanda Lyons, líder do setor de TI e chefe de pesquisa da Energy Group Capital. “Qualquer sinal de desaceleração nos investimentos seria visto de forma negativa para o ecossistema, mas um aumento acentuado provavelmente levantaria dúvidas sobre o retorno.”

O Brent avançou pelo sétimo dia, para US$ 111 o barril. A Casa Branca afirmou que o presidente Donald Trump tratará “muito em breve” de uma proposta do Irã para reabrir Ormuz. O dólar subiu 0,2%. Já o iene devolveu ganhos após o presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, evitar dar um sinal claro sobre quando os juros podem subir.

Os títulos caíram globalmente, liderados pelas perdas na Europa, à medida que aumentam as preocupações de que a alta do petróleo eleve a inflação e leve os bancos centrais a apertar a política monetária. Consumidores da zona do euro passaram a projetar inflação de 4% nos próximos 12 meses, acima dos 2,5% em fevereiro, segundo pesquisa do Banco Central Europeu.

Antes das reuniões de política monetária do Federal Reserve, do BCE e do Banco da Inglaterra, o mercado ainda espera majoritariamente que as autoridades mantenham os juros inalterados. O cenário para as reuniões seguintes, porém, fica mais incerto, com tudo dependendo da duração da guerra no Oriente Médio. Operadores já veem possibilidade de alta de juros pelo BCE e pelo BOE já em junho, enquanto a expectativa é de que o Fed mantenha as taxas estáveis pelo restante do ano.

“A alta do petróleo já começa a aparecer nos dados macro, como números mais elevados de inflação, e indicadores prospectivos, como a confiança do consumidor, já mostram queda”, disse Anna Macdonald, da Hargreaves Lansdown. “Quanto mais a crise se prolongar, mais severos serão os impactos e maior será sua influência sobre a atenção dos investidores.”

🔘 As bolsas ontem (27/04): Dow Jones Industrials (-0,13%), S&P 500 (+0,12%), Nasdaq Composite (+0,20%), Stoxx 600 (-0,30%), Ibovespa (-0,61%)

Veja a seguir outros destaques desta manhã de terça-feira (28 de abril):

- Eleições 2026. Os pré-candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados dentro da margem de erro em um eventual segundo turno, com 47,5% e 47,8% das intenções de voto, respectivamente, segundo pesquisa da AtlasIntel divulgada nesta terça.ㅤ

- Guerra no Oriente Médio. O presidente americano, Donald Trump, reuniu sua equipe de segurança nacional para discutir a proposta do Irã de pôr fim a guerra. Trump tratará do assunto “muito em breve”, disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, aos repórteres na segunda-feira.ㅤ

- BP supera projeções. O lucro da companhia no 1º trimestre foi impulsionado pela volatilidade dos preços de energia e ganhos fortes no trading de petróleo diante da guerra no Oriente Médio. Apesar do resultado, a empresa enfrenta preocupações com o aumento da dívida, que subiu para US$ 25,3 bilhões.

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-- Com informações da Bloomberg News.

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