Ações brasileiras podem ser beneficiadas com mudança no MSCI, diz Beker, do BofA

Chefe de estratégia de ações da América Latina diz que a inclusão de empresas brasileiras listadas no exterior no índice MSCI pode atrair investidores estrangeiros

Painel de ações na B3
Por Josue Leonel - Leda Alvim
26 de Fevereiro, 2024 | 01:19 PM

Bloomberg — O mercado de ações do Brasil tem o potencial de atrair mais investidores estrangeiros e se destacar na América Latina com a inclusão de empresas vistas como mais dinâmicas pelo MSCI e diante de juros mais baixos no país e nos EUA, de acordo com o Bank of America (BAC).

O BofA mantém a aposta de que o Ibovespa termine 2024 em 145.000 pontos, cerca de 12% acima do patamar atual. A estimativa ganhou maior credibilidade após a correção recente, que torna os preços mais atrativos, segundo David Beker, chefe de estratégia de ações da América Latina do banco, em entrevista à Bloomberg News.

A projeção do Bank of America para o índice brasileiro supera o ganho projetado para o índice de ações mexicano Mexbol. Beker vê o índice em 58.000 pontos, quase estável ante os atuais cerca de 57.000 pontos, embora com um adicional de 5% de dividend yield.

O olhar do estrangeiro para o Brasil melhora com a inclusão pelo MSCI de empresas vistas como mais dinâmicas, que já estão mais “na fronteira”, disse Beker. “O MSCI Brasil, até o momento, era um índice muito ‘velha economia’”, afirmou.

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O MSCI anunciou que empresas listadas em bolsas estrangeiras se tornarão elegíveis para os índices brasileiros, o que poderia gerar fluxos para companhias como Nubank, Stone, XP e PagSeguro, segundo estrategistas do Morgan Stanley.

Beker não acredita que a decisão da MSCI vá prejudicar o Ibovespa, por desviar recursos do Brasil para empresas brasileiras negociadas no exterior. “Eu não vejo dessa forma porque, no limite, se o MSCI anda a bolsa aqui vai andar também. E essas empresas já eram listadas lá fora”.

Fiscal no radar

A perspectiva favorável de Beker para o Brasil se sustenta ainda em fatores como o alívio monetário em curso, com a Selic devendo cair abaixo de 10% no segundo trimestre, a balança comercial impulsionada pelo petróleo e sinais de aumento da arrecadação fiscal que já estariam surgindo neste começo de ano.

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Embora as contas públicas ainda sejam maior risco para o país, ele projeta um déficit primário de 0,4% do PIB — menor do que o consenso do mercado, de um déficit de 0,8% do PIB.

“Se o resultado fiscal caminhar nesse rumo, o governo pode nem precisar mudar a meta”, disse Beker.

Eleição no México

Segunda maior economia latino-americana depois do Brasil, o México continua impulsionado pelo fenômeno do “nearshoring”, que torna o país uma opção de investimentos em relação à China.

Porém, o executivo do BofA vê o peso mexicano caro comparado com o real, e prevê que as eleições tanto no pais quanto nos Estados Unidos gere volatilidade nos ativos e incertezas para o mercado.

“A gente esteve errado no México. O mercado andou bastante e perdemos esse movimento. Mas acho que agora é momento de manter a posição e discutir qual o tipo de volatilidade que a gente vai ver por conta das eleições”, disse Beker.

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