Xi Jinping se reuniu com CEOs dos EUA para tentar atrair investimentos para a China

Encontro em Pequim fez parte da agenda do presidente da segunda maior economia do mundo para tentar reaquecer a atividade com ajuda de capital estrangeiro

Joe Biden shakes hands with Xi Jinping in Woodside, California, on Nov. 15. Photographer: Brendan Smialowski/AFP/Getty Images
Por Bloomberg News
31 de Março, 2024 | 06:49 PM

Bloomberg — O presidente Xi Jinping se reuniu em Pequim com um grupo de executivos de empresas dos Estados Unidos na semana que passou, enquanto as tensões bilaterais continuam a aumentar devido a restrições comerciais da Casa Branca e acusações de ciberataques.

Segundo a agência oficial de notícias Xinhua, o líder chinês se encontrou na última quarta-feira (27) com representantes das comunidades empresarial, estratégica e acadêmica americanas. Xi tirou uma foto em grupo com os presentes antes da reunião, conforme relatado pela emissora estatal CCTV.

A China busca fortalecer a confiança em meio a uma desaceleração nos investimentos estrangeiros, que caíram para o nível mais baixo em 30 anos no ano passado, segundo um indicador.

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As tensões com os EUA aumentaram nas últimas semanas após os laços terem se estabilizado na sequência do encontro de Xi com o presidente Joe Biden em São Francisco em novembro passado.

Na terça-feira (26), a China disse que apresentou uma queixa formal à Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre os subsídios para veículos elétricos concedidos pelos EUA.

No início da semana, os EUA e o Reino Unido acusaram hackers chineses apoiados pelo estado de visar políticos, empresas e dissidentes, além de roubar grandes quantidades de dados de eleitores britânicos.

As relações com os EUA correm o risco de ficarem mais tensas nos próximos meses com o fortalecimento na campanha eleitoral do ex-presidente Donald Trump, que já promete impor tarifas pesadas de importação, o que poderia reduzir o comércio entre as duas nações.

A retórica de Trump pode aumentar a pressão sobre Biden para adotar medidas mais duras antes da eleição em novembro. A China parece estar intensificando seus esforços para atrair investidores estrangeiros, pois busca alcançar uma meta de crescimento anual de cerca de 5%, considerada ambiciosa por alguns economistas.

O Ministério do Comércio se comprometeu em janeiro a realizar uma reunião em formato de mesa redonda com empresas estrangeiras todos os meses para ouvir e abordar suas preocupações.

No entanto os investidores têm reclamado sobre o que apontam ser uma espécie de “montanha-russa”, dado que a China busca seus objetivos duplos de desenvolvimento e segurança, com os executivos ouvindo palavras calorosas apenas para verem as autoridades investigarem empresas de consultoria, expandirem uma lei anti-espionagem considerada genérica e restringirem o acesso a dados.

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Uma desaceleração econômica estrutural também levou os executivos de empresas estrangeiras a reavaliar o equilíbrio entre riscos e recompensas para operar no país.

Antes da pandemia, Xi costumava realizar reuniões mais regulares com executivos em eventos como o Fórum Boao para a Ásia, que às vezes é descrito como o Davos da China. Não se espera que ele participe da versão deste ano em Hainan.

Muitos CEOs dos EUA estão em Pequim para o Fórum de Desenvolvimento da China, que reúne líderes empresariais globais e autoridades chinesas. Alguns executivos que participam do evento estenderam sua estadia ou remarcaram compromissos previamente planejados para se encontrarem com Xi após receberem um convite formal na semana passada, relatou a Bloomberg News.

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