Bloomberg — O presidente Donald Trump defendeu o recente ataque dos EUA ao Irã em um vídeo de oito minutos publicado na madrugada de sábado em sua plataforma Truth Social.
“Nosso objetivo é defender o povo americano, eliminando as ameaças iminentes do regime iraniano, um grupo cruel de pessoas muito duras e terríveis”, disse Trump, usando um boné de beisebol branco com o logotipo “USA”.
Ele falou de um púlpito em frente a uma bandeira americana e a uma bandeira com o selo presidencial, presumivelmente em sua propriedade em Mar-a-Lago, na Flórida.
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Ele instou o povo iraniano a se erguer contra a teocracia que governa o país desde 1979, dizendo que o governo era “seu para ser tomado”.
“Esta será provavelmente a única chance de vocês por gerações”, disse ele.
O ataque ocorreu poucas semanas depois de tropas americanas capturarem o presidente Nicolas Maduro, da Venezuela, em uma ofensiva em Caracas.
Ainda assim, críticos argumentaram que uma campanha contra o Irã poderia ser muito mais complexa e envolver riscos significativamente maiores, inclusive o de desencadear uma guerra regional.
O Oriente Médio, por sua vez, é historicamente conhecido por impor reveses a grandes potências.
Democratas na Câmara e no Senado afirmaram que forçarão as duas Casas a votar na próxima semana para limitar a capacidade de Trump de conduzir uma guerra contra o Irã.
O presidente, que ingressou na política criticando as chamadas guerras eternas e alertando para os riscos da mudança de regime, deixou claro que esta ação militar — diferentemente de operações anteriores desde seu primeiro mandato — pode não ter um desfecho rápido. Ele reconheceu que os EUA podem sofrer baixas ao longo da campanha.
Trump classificou os ataques como necessários para eliminar um adversário que, segundo ele, disseminou o terror além de suas fronteiras e assassinou o próprio povo, mais recentemente durante protestos que abalaram o país.
Ele acusou o regime de Teerã de tentar reconstruir seu programa nuclear após os ataques conduzidos pelos EUA e por Israel em junho passado.
O presidente também evocou a tomada da embaixada dos EUA em Teerã, em 1979, e a subsequente crise dos reféns. Segundo ele, representantes do Irã foram responsáveis pela morte de 241 soldados americanos em Beirute, em 1982, além do ataque ao USS Cole, em 2000.
Ainda assim, ofereceu poucas explicações sobre por que a ameaça iraniana seria iminente. Trump voltou a afirmar, como já fez anteriormente, que o Irã está desenvolvendo mísseis capazes de atingir os EUA, embora estimativas de inteligência indiquem que o país não tem esse objetivo.
As conversas com uma delegação iraniana em Genebra fracassaram, acrescentou ele, e o tempo para a diplomacia havia se esgotado.
“Não vamos mais tolerar isso”, disse Trump.
Apesar disso, as negociações envolvendo o genro de Trump, Jared Kushner, e o enviado Steve Witkoff concordaram em manter as conversas em Viena, e o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Abulsaidi, afirmou que um acordo de paz “agora está ao alcance”.
--Com a ajuda de Erik Wasson.
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