Bloomberg — Delcy Rodríguez, a presidente interina da Venezuela, pediu aos Estados Unidos que trabalhem com seu país, adotando um tom mais conciliatório em relação ao governo Trump após sua indignação inicial com a captura do presidente Nicolás Maduro.
“Convidamos o governo dos EUA a trabalhar juntos em uma agenda de cooperação, visando ao desenvolvimento compartilhado, dentro da estrutura do direito internacional, e para fortalecer a coexistência duradoura da comunidade”, disse a autoridade cahvista em um comunicado divulgado no final do domingo (4).
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Trata-se de uma reviravolta acentuada em relação aos comentários que ela fez nas horas após as forças dos EUA terem capturado Maduro na madrugada de sábado (3) e lançado uma série de ataques direcionados na capital e nas cidades vizinhas. Suas declarações iniciais denunciaram as ações e pediram o retorno de Maduro.
Após a operação, o presidente Donald Trump disse que uma equipe de autoridades norte-americanas “comandará” o país e que Rodríguez trabalharia ao lado deles.
No domingo, Trump disse à revista The Atlantic que será necessário algum trabalho de reconstrução na Venezuela, enquanto advertia Rodríguez. “Se ela não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que o de Maduro”, disse ele.
O secretário de Estado, Marco Rubio, disse que os EUA observariam suas ações concretas mais do que sua retórica.
Falando a jornalistas a bordo do Air Force One, Trump reiterou que os EUA precisavam de “acesso total” ao petróleo para reconstruir o país.
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‘Acesso total’ ao país
Ele também disse que a caracterização feita por Rodríguez da captura de Maduro como um sequestro não era “um termo ruim”.
Rodríguez é ex-ministra do Petróleo e conhece bem os desafios de operar a estatal PDVSA (Petróleos de Venezuela SA) e trabalhar com empresas internacionais. Mas a visão de Trump de aumentar a produção do país é uma tarefa assustadora e cara.
Embora a declaração de Rodríguez no final do dia de domingo possa ser um sinal de que ela está disposta a cooperar com Trump, ela também pode irritar os linha-duras de seu governo que há anos veem os EUA como uma ameaça imperialista - e que consideram a captura de Maduro uma violação da soberania nacional.
Rodríguez enfrentará um teste de seu poder no país nesta segunda-feira (5), quando um novo grupo de legisladores for empossado na Assembleia Nacional.
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Há uma confusão sobre a necessidade de uma cerimônia formal de posse para ela, de acordo com dois legisladores, que pediram para não serem identificados para evitar repercussões.
Por enquanto, o status de Maduro está sendo tratado pelas autoridades venezuelanas como uma ausência forçada temporária, e ele ainda está sendo chamado de presidente na mídia estatal.
Maduro deve comparecer a um tribunal de Nova York também nesta segunda-feira.
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