Bloomberg — O presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, defendeu o multilateralismo em um momento em que as iniciativas globais e as organizações internacionais estão sendo testadas.
“Mesmo com turbulência política, há espaço para o multilateralismo”, disse Banga em entrevista ao programa Leaders with Francine Lacqua, da Bloomberg Television. “A questão é que tipo de multilateralismo e para quê.”
O ex-diretor executivo da Mastercard, que assumiu o comando do credor com sede em Washington em 2023, ilustrou seu ponto de vista com a rodada recorde de financiamento garantida pela Associação Internacional de Desenvolvimento para os países mais pobres do mundo no final de 2024.
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Mesmo quando muitos países desenvolvidos, incluindo os EUA e o Reino Unido, viram as administrações mudarem de mãos, fontes públicas e privadas conseguiram trabalhar juntas para recapitalizar o grupo.
“O setor privado e a mobilização de capital privado, combinados com o dinheiro que você pode obter do setor público, combinado com a filantropia, é uma boa combinação para se trabalhar”, disse Banga.
O sistema de cooperação econômica multilateral que sustentou a criação do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional no final da Segunda Guerra Mundial está sob pressão em meio a uma reação contra a globalização.
Sob o comando do presidente dos EUA, Donald Trump, a maior economia do mundo se afastou das iniciativas globais, favorecendo negociações bilaterais que beneficiam a chamada agenda “America First”.
Muitos líderes econômicos globais saíram em defesa do multilateralismo nos últimos meses, inclusive no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, em janeiro.
Nesta semana, o presidente da Assembleia Geral da ONU pediu aos europeus que defendam o multilateralismo em meio a “tempos difíceis” no mundo todo.
O Banco Mundial estima que 1,2 bilhão de pessoas entrarão no mercado de trabalho na próxima década nas economias emergentes, competindo pelos 400 milhões de novos empregos que deverão estar disponíveis.
Isso geralmente é considerado um desafio de desenvolvimento, mas também é um desafio econômico e, cada vez mais, um desafio de segurança nacional, escreveu Banga em um artigo de opinião da Bloomberg nesta semana.
--Com a ajuda de Francine Lacqua.
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