Bloomberg — A intervenção de choque dos Estados Unidos na Venezuela provavelmente sufocará os fluxos de petróleo para a China, embora o impacto de curto prazo seja atenuado pelos grandes volumes de petróleo sancionados que estão sendo armazenados no mar.
A China é a principal compradora de petróleo bruto do país sul-americano, mas esse comércio agora parece estar em perigo após a tomada do líder venezuelano Nicolas Maduro no fim de semana.
O presidente Donald Trump disse em entrevista coletiva no sábado (3) que os EUA vão administrar o país e que empresas americanas vão reconstruir seu setor petrolífero e vender uma “grande quantidade” para compradores globais, incluindo clientes atuais e novos, sem mencionar especificamente a China.
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As remessas venezuelanas representaram apenas 4% das importações de petróleo da China em 2025, mas a nação sul-americana fornece um tipo exclusivo de petróleo bruto com alto teor de enxofre e lama que é usado para produzir betume, que é vital para a construção civil e rodoviária.
O petróleo da Venezuela também tem um grande desconto, o que o torna popular entre os refinadores independentes da China, conhecidos como teapots.
“A perda dos barris venezuelanos é a que mais prejudica os teapots”, disse Michal Meidan, diretora do Programa de Energia da China no Oxford Institute for Energy Studies.
Respondem por cerca de metade das importações chinesas do país sul-americano, enquanto as empresas estatais ficando com cerca de um terço, e as refinarias independentes maiores compram apenas volumes limitados, disse a especialista.
Embora o futuro da Venezuela e de seu setor petrolífero ainda seja muito obscuro, um acúmulo de petróleo sancionado em armazenamento flutuante em alto mar amortecerá o impacto sobre os compradores chineses nos próximos meses.
Quase 82 milhões de barris estão atualmente em navios-tanque nas águas da China e da Malásia, de acordo com a empresa de inteligência de dados Kpler. Mais de um quarto é venezuelano, e o restante é iraniano, segundo a empresa.
Os contratos futuros de betume negociados em Xangai subiram nesta segunda-feira (5), mas ainda não estavam muito acima da menor cotação em quatro anos alcançadano mês passado, o que reflete a ampla oferta de curto prazo.
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Alternativa ao petróleo bruto venezuelano
Separadamente, o mercado também observa a demanda chinesa por óleo combustível, uma possível alternativa ao petróleo bruto venezuelano.
Antes da captura de Maduro, os EUA impuseram um bloqueio parcial aos navios que fazem escala na Venezuela. Trump disse em uma entrevista coletiva de imprensa no sábado que as sanções ao setor petrolífero do país permaneceriam em vigor.
Não está claro o quão fácil será para a China comprar qualquer carga venezuelana não vendida que já tenha sido carregada, devido a questões relacionadas ao pagamento e à propriedade do petróleo bruto.
A Venezuela tem as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo, mas a produção caiu drasticamente na última década e agora responde por menos de 1% da oferta global.
As sanções dos EUA contra a produtora estatal PDVSA (Petroleos de Venezuela SA) fizeram com que a maioria das nações - exceto a China - evitasse o petróleo do país, embora a Chevron tenha sido autorizada a continuar operando na Venezuela.
As grandes petrolíferas chinesas Sinopec e China National Petroleum Corp. também têm reivindicações herdadas para desenvolver as reservas de petróleo venezuelanas, disse o Morgan Stanley em uma nota que citou a Wood Mackenzie.
No entanto a promessa de Trump de que as empresas norte-americanas terão direito a reconstruir o setor de petróleo do país levanta grandes dúvidas sobre se as empresas chinesas terão algum papel a desempenhar.
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China condena ataque
O govern da China disse que está “profundamente chocado” com os ataques militares dos EUA na Venezuela e com a captura do presidente Nicolas Maduro.
A China “condena veementemente o uso flagrante da força pelos EUA contra um Estado soberano e a ação contra seu presidente”, disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores em um comunicado no final do sábado.
A captura do líder venezuelano Nicolas Maduro pelo presidente Donald Trump provocou uma ampla discussão nas mídias sociais chinesas no fim de semana, com muitos usuários dizendo que a operação oferecia um modelo de como Pequim poderia lidar com as tensões históricas com Taiwan.
-- Com a colaboração de Sarah Chen.
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