Bloomberg — O número de empregos criados nos EUA recuou inesperadamente em julho, e as contratações nos dois meses anteriores foram revisadas para baixo, sugerindo que o mercado de trabalho está mais fraco do que se pensava anteriormente, após ter demonstrado uma força surpreendente no início deste ano.
O payroll, número de empregos não agrícolas nos EUA, diminuiu em 23.000 no mês passado, após uma revisão para baixo de 103.000, combinada aos números de maio e junho, segundo dados divulgados na sexta-feira (7) pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho. A taxa de desemprego caiu para 4,1%, enquanto a taxa de participação na força de trabalho continuou a cair.
O relatório sugere que o mercado de trabalho pode estar começando a perder força em meio ao aumento dos preços e à incerteza decorrente da guerra com o Irã, mesmo que a demanda resiliente dos consumidores tenha, até o momento, incentivado alguns empregadores a seguir adiante com seus planos de contratação.
Os dados também podem levar o Federal Reserve a adiar os aumentos das taxas de juros, à medida que as autoridades avaliam a inflação em relação aos riscos para o emprego.
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Os futuros das ações dos EUA subiram e os rendimentos dos títulos do Tesouro caíram, à medida que os investidores reduziram as apostas em um aumento das taxas pelo Fed em setembro.
A queda no número de empregos foi impulsionada por cortes nos setores público, de lazer e hotelaria e no comércio varejista. O número de empregos no setor privado aumentou em 30.000 pelo segundo mês consecutivo, liderado pelos setores de saúde e assistência social.
Os empregadores do governo local eliminaram quase 60.000 empregos, quase inteiramente na educação, setor que pode apresentar volatilidade no verão, já que muitos professores saem da folha de pagamento antes de retornarem com o início do ano letivo. O número de empregos no governo federal também diminuiu.
O emprego nos setores de lazer e hotelaria recuou para o nível mais baixo em quase um ano, à medida que restaurantes e bares demitiram funcionários, sugerindo que a Copa do Mundo da Fifa, que terminou em 19 de julho, não proporcionou o impulso à folha de pagamento que muitos analistas haviam previsto.
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A folha de pagamento no setor de atividades financeiras, um dos principais empregadores de profissionais de colarinho branco considerados entre os mais vulneráveis à adoção da inteligência artificial, caiu para o nível mais baixo em quatro anos.
A folha de pagamento nos setores de manufatura e construção, no entanto, continuou a subir. Muitos economistas apontaram a expansão dos centros de dados como um possível impulsionador da demanda por mão de obra na construção civil em 2026, mesmo com a construção de residências continuando a ser restringida pelas altas taxas de juros.
Taxa de Participação
A taxa de participação — a parcela da população que está trabalhando ou procurando emprego — caiu para 61,4%, o que, excluindo a pandemia, foi o nível mais baixo desde a década de 1970. Entre as pessoas com idades entre 25 e 54 anos, conhecidas como trabalhadores em idade produtiva, a participação subiu ligeiramente, mas permaneceu próxima dos níveis mais baixos dos últimos anos.
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Os ganhos salariais também ficaram abaixo das estimativas. O salário médio por hora subiu 3,2% em relação ao ano anterior, marcando o ritmo mais lento em mais de cinco anos. Os economistas estão acompanhando de perto como a dinâmica da oferta e da demanda de mão de obra está afetando os salários.
O poder de compra também será uma questão fundamental nas eleições intermediárias de novembro, especialmente porque a guerra com o Irã elevou ainda mais o custo de vida. Embora a confiança do consumidor tenha se recuperado no mês passado, a percepção dos consumidores sobre sua situação financeira atual permanece abaixo dos níveis observados nos últimos anos.
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