Bloomberg — A iminente posse de Keiko Fujimori como próxima presidente do Peru deve abrir caminho para restabelecer as relações do país andino com o México, depois que Lima rompeu relações diplomáticas no ano passado.
A presidente eleita conservadora expressou nesta quinta-feira (9) sua intenção de restabelecer os laços com o México, enquanto se prepara para assumir o cargo no final deste mês, após um segundo turno acirrado em junho.
A presidente mexicana Claudia Sheinbaum, uma das líderes de esquerda mais proeminentes da região, respondeu na manhã desta sexta-feira (10), sinalizando que seu governo já iniciou conversações com a equipe de Fujimori.
“Pretendemos, de fato, restabelecer nossas relações com o Peru”, disse Sheinbaum aos repórteres em entrevista coletiva em resposta a uma pergunta sobre as declarações de Fujimori.
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
A presidente acrescentou que solicitou ao ministro das Relações Exteriores, Roberto Velasco, que entre em contato com os assessores de Fujimori para definir os próximos passos.
O afastamento decorre de um acirrado desacordo sobre a destituição do ex-presidente de esquerda do Peru, Pedro Castillo, em 2022, quando o antecessor e aliado de Sheinbaum, Andrés Manuel López Obrador, condenou a destituição como um “golpe” orquestrado por forças conservadoras.
A normalização das relações bilaterais permitiria que dois governos ideologicamente opostos resolvessem o conflito subjacente e abrissem caminho para um recomeço.
O México e o Peru são dois dos quatro membros fundadores da Aliança do Pacífico, um dos projetos de integração mais voltados para o mercado da região.
A aliança visa aprofundar a livre circulação de bens, serviços, capitais e pessoas, além de projetar a América Latina para os mercados do Leste Asiático.
A reabertura das embaixadas em Lima e na Cidade do México sinalizaria que governos divididos por questões ideológicas ainda podem promover o comércio, o investimento e as instituições regionais.
No final de 2022, o então presidente Castillo tentou dissolver ilegalmente o Congresso enquanto os legisladores se preparavam para destituí-lo. Castillo foi posteriormente preso e sua vice-presidente, Dina Boluarte, assumiu o cargo.
Embora López Obrador frequentemente defendesse a não intervenção nos assuntos internos de outros países, ele abriu uma exceção para o Peru, apoiando repetidamente Castillo e questionando a legitimidade de Boluarte.
Isso levou o Peru a expulsar o embaixador do México e, posteriormente, a retirar seu próprio embaixador da Cidade do México.
“Acreditamos que foi uma prisão arbitrária”, disse Sheinbaum, referindo-se à detenção de Castillo, “porque nem mesmo cumpriu as regras e leis que regem a destituição do presidente”.
Sheinbaum insistiu que a posição do México sobre a prisão de Castillo não mudará e que deseja ouvir a posição de Fujimori agora que ela está prestes a assumir o cargo.
A ruptura diplomática definitiva entre as duas nações ocorreu no final de 2025, depois que o México concedeu asilo a Betssy Chávez, ex-primeira-ministra de Castillo. Ela vinha enfrentando um processo relacionado à tentativa fracassada de dissolver o Congresso. Ela permanece na embaixada do México em Lima, e o Peru não lhe concedeu passagem segura para partir para o México.
Veja mais em bloomberg.com