Bloomberg — A Shanghai Enflame Technology conta com menos de 900 funcionários, possui um único cliente importante e nunca registrou lucro desde que a fabricante chinesa de chips de computador iniciou suas atividades em 2018.
Isso não impediu que os fundadores Zhao Lidong e Zhang Yalin se tornassem bilionários, à medida que investidores ávidos por apostas em inteligência artificial injetam dinheiro na empresa e ignoram os diversos obstáculos ao crescimento. Além da dupla, a Tencent Holdings é a maior acionista e também a maior cliente da empresa.
As ações da Enflame dispararam em até 234% em seu primeiro dia de negociação, na sexta-feira (10), em Xangai, elevando as fortunas individuais de Zhao e Zhang para US$ 2,5 bilhões cada. Os dois cofundadores estão sujeitos a longos períodos de restrição de alienação e precisam atingir determinadas metas antes de poderem realizar seus ganhos.
A Enflame não respondeu aos pedidos de comentário.
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Esse ganho inesperado é mais um exemplo de como as ofertas públicas iniciais (IPOs) geraram enorme riqueza para um grupo de executivos chineses ligados à IA. Os fundadores da Moore Threads Technology e da MetaX Integrated Circuits, dois dos concorrentes locais da Enflame, também viram sua riqueza pessoal disparar após a abertura de capital, embora suas empresas estivessem firmemente no vermelho.
A abertura de capital da Enflame também foi superada pela demanda, mesmo diante de gargalos na cadeia de suprimentos, concorrência de rivais globais como a Nvidia (NVDA)e incertezas geopolíticas que levaram a vários trimestres de prejuízos.
Zhao e Zhang trabalharam na Advanced Micro Devices antes de fundarem a Enflame, cujo nome é uma referência a um personagem mítico chinês a quem se atribui a invenção do fogo. Zhao passou duas décadas no Vale do Silício e atuou como vice-presidente na Tsinghua Unigroup, empresa apoiada pelo Estado em Pequim, enquanto Zhang ascendeu no centro de pesquisa da AMD em Xangai até assumir a direção do desenvolvimento de chips essenciais.
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Desde o início, os cofundadores procuraram evitar a concorrência direta com as unidades de processamento gráfico de uso geral da Nvidia. Ao contrário de outras empresas chinesas, eles optaram por desenvolver um tipo alternativo de chip projetado para operar fora do ecossistema da Nvidia.
Empresas chinesas de hardware de IA, como a Enflame, estão se beneficiando do rápido crescimento dos centros de dados no país. Concorrente de menor porte da Huawei e da Moore Threads, o sucesso da Enflame está intimamente ligado à Tencent, que está ampliando sua capacidade de IA e continua a necessitar de enorme capacidade computacional para dar suporte ao WeChat e a outros serviços.
A gigante da tecnologia detém uma participação de 20% na Enflame e gerou quase 84% da receita de 990 milhões de yuans (US$ 138 milhões) da Enflame em 2025.
A Enflame registrou um prejuízo líquido de 1,16 bilhão de yuans (US$ 160 milhões) em 2025, devido aos pesados investimentos em pesquisa e desenvolvimento. No final de 2023, tensões geopolíticas a forçaram a rebaixar o padrão de certos projetos de chips para manter o acesso às operações da Taiwan Semiconductor Manufacturing.
Para gerar receita, a empresa tem contado fortemente com projetos de computação apoiados pelo Estado chinês em cidades como Wuxi e Qingyang.
A decisão da Enflame de se concentrar em chips alternativos é uma “forma de independência estratégica de alto risco”, afirmou Paul Triolo, sócio e diretor de tecnologia da DGA.
“O desafio é avaliar como a estratégia da Enflame funciona com diferentes clientes”, disse Triolo. “Pode ser boa para a Tencent e para centros de dados municipais, desde que haja recursos para portar e atualizar o software, mas menos atraente no mercado aberto de desenvolvedores.”
--Com a colaboração de Pei Yi Mak, Dave Sebastian e Edwin Chan.
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