Boomberg — Operadores do mercado de títulos dos EUA reduziram as expectativas de que o Federal Reserve elevará os juros na próxima reunião, depois que a autoridade monetária manteve a taxa básica inalterada nesta quarta-feira (29).
Os contratos de swap de juros passaram a indicar uma probabilidade de cerca de 60% de que as autoridades lideradas pelo presidente do Fed, Kevin Warsh, elevem o custo do crédito em setembro, após a decisão, embora alguns dirigentes tenham demonstrado convicção crescente de que será necessário aumentar os juros para conter o recrudescimento da inflação. O mercado já precifica integralmente uma alta até dezembro.
No mercado de Treasuries, o rendimento dos títulos de dois anos — os mais sensíveis às mudanças na política monetária do Fed — caiu quatro pontos-base, para 4,24%, enquanto o rendimento dos papéis de 30 anos avançou quatro pontos-base, para 5,13%. A taxa dos títulos de referência de dez anos ficou praticamente estável, em 4,61%. O dólar recuou.
No segundo comunicado de política monetária divulgado sob o comando de Warsh, as autoridades evitaram oferecer muitas indicações sobre os próximos passos, reiterando o compromisso do banco central com a estabilidade de preços.
Os dirigentes votaram por 9 a 3 para manter a taxa dos Fed funds na faixa de 3,5% a 3,75%. A presidente do Fed de Dallas, Lorie Logan, a presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, e o presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, divergiram e defenderam uma alta dos juros.
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“O movimento inicial do mercado reflete apenas o alívio por o Fed não ter elevado os juros hoje”, afirmou Jack McIntyre, gestor de portfólio da Brandywine Global Investment Management.
As divergências “mostram a inclinação do FOMC e, a menos que os dados de inflação e emprego enfraqueçam de forma significativa até setembro, essa reunião continuará no radar para uma alta”.
A decisão trouxe mais clareza para um mercado profundamente dividido, no qual os operadores atribuíam cerca de 40% de probabilidade a uma alta antes do anúncio. Warsh se comprometeu a reduzir a dependência do mercado em relação às sinalizações antecipadas do Fed, deixando os investidores com menos previsibilidade do que o habitual.
“Os participantes do mercado estão aprendendo a acompanhar a bola, e não o árbitro”, afirmou Warsh na entrevista coletiva. “Os preços de mercado continuarão reagindo na direção e na intensidade que julgarem apropriadas. Na minha visão, essa é uma mudança positiva, e estamos apenas começando.”
O mercado de Treasuries, de US$ 31 trilhões, sofreu forte pressão ao longo do último mês, com queda superior a meio ponto percentual em julho, depois que os ataques do presidente dos EUA, Donald Trump, ao Irã impulsionaram os preços do petróleo.
O rendimento dos títulos de 30 anos está a menos de 10 pontos-base do maior nível em 19 anos, sinal de que os investidores exigem remuneração maior para manter dívida de longo prazo em um ambiente de pressões inflacionárias elevadas e forte emissão de títulos.
Os rendimentos reais dos Treasuries, ajustados pela inflação, também avançaram de forma significativa. Isso sugere que os participantes do mercado acreditam que a taxa neutra de juros do Fed — nível teórico considerado nem estimulativo nem restritivo para a economia — é mais elevada.
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Para McIntyre, da Brandywine, esses níveis indicam que os cortes de juros acumulados em 75 pontos-base no ano passado precisarão ser revertidos. Ele espera que o Fed opte por uma sequência de três altas de 0,25 ponto percentual.
“Está claro que a inflação — especialmente a inflação subjacente — continua em níveis desconfortáveis para o Fed”, afirmou Ed Hutchings, chefe da área de juros da Aviva Investors. “Quanto mais tempo os juros permanecerem inalterados, maior poderá ser o ajuste necessário por parte do Federal Reserve, inclusive com a reversão de todos os cortes promovidos em 2025, ou até mais.”