Macron mantém imposto digital apesar de ameaça de Trump a vinho francês

Presidente francês disse que não retirará a taxação sobre empresas de tecnologia americanas e minimiza ameaça de novas tarifas dos EUA sobre o vinho antes de encontro com Trump no G7

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Bloomberg — O presidente francês, Emmanuel Macron, recusou-se a retirar o imposto digital do país depois que Donald Trump ameaçou impor novas tarifas sobre o vinho, preparando o terreno para um confronto quando os dois líderes se encontrarem na cúpula do Grupo dos Sete, em Évian.

“Não são os EUA que decidem sobre a legislação europeia ou francesa — isso é normal e não será diferente, pelo menos enquanto eu estiver por aqui”, disse Macron à TV TF1 a partir do G7, que começa hoje e é realizado em uma pitoresca cidade nos Alpes franceses.

Esta é a segunda vez que Macron sedia a cúpula do G7 e é a última como líder, já que seu mandato presidencial termina em maio. Ele tem mantido uma relação conturbada com Trump e, nesta fase avançada de sua carreira política, está menos preocupado em agradar Trump e está adotando uma postura mais combativa.

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Portanto, quando se trata das ameaças comerciais e do hábito de Trump de recuar, alguns líderes estão mais preparados para encarar a situação com naturalidade, especialmente se for algo que já ouviram antes ou se precisarem demonstrar que a Europa pode se manter firme.

Trump disse ao New York Post em uma entrevista antes da cúpula do G7 que os EUA “não terão escolha” a não ser impor mais tarifas sobre os vinhos franceses, a menos que a França retire um imposto digital que prejudica as empresas de tecnologia americanas.

Depois que a Suprema Corte derrubou as tarifas globais de Trump em fevereiro, o presidente não tem um caminho claro para implementar rapidamente uma tarifa sobre as importações de vinho francês.

Essa decisão impediu Trump de impor tarifas com poderes de emergência. Ele poderia usar outras disposições legais para tarifar os vinhos franceses, mas esse processo exigiria investigações comerciais que poderiam levar meses.

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Trump e Macron vêm há anos em desacordo sobre os impostos sobre serviços digitais que se aplicam a empresas como a Amazon.com e a Meta Platforms.

A França liderou a introdução de um imposto desse tipo em meio a um desacordo internacional mais amplo sobre a tributação dos lucros das gigantes globais de tecnologia.

Os dois líderes se encontrarão esta tarde, após a chegada de Trump. E, ao final da cúpula, Macron oferecerá a ele um jantar comemorativo no Palácio de Versalhes, perto de Paris.

Mas o ressurgimento da disputa compromete os esforços de Macron para conseguir a cooperação de Trump em uma reunião crucial do G7 nos próximos dias, que abordará uma série de outras questões, a começar pelo acordo entre os EUA e o Irã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz.

“Teremos uma discussão respeitosa, mas firme, que consistirá em explicar como as coisas funcionam”, disse Macron.

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“Vamos resolver tudo isso de maneira respeitosa por meio do diálogo.”

O presidente dos EUA tem ameaçado repetidamente com a imposição de tarifas sobre o vinho francês, prometendo uma tarifa de até 200% no início deste ano, em uma disputa separada sobre a rejeição de Paris a um convite para se juntar ao seu chamado Conselho da Paz.

Além do simbolismo de visar um produto emblemático, os clientes dos EUA representam uma grande parcela das exportações de bebidas alcoólicas da França.

A Casa Branca não respondeu a perguntas sobre a reação de Macron nem deu mais detalhes sobre a ameaça de Trump.

Macron afirmou que as tarifas dos EUA não estão resolvendo nenhum problema comercial e começam a elevar os preços para os consumidores americanos.

Ele pediu a aplicação do acordo comercial entre os EUA e a UE concluído no ano passado, que faria com que o bloco enfrentasse tarifas de 15% sobre a maior parte de suas exportações.

“Agora, precisamos de estabilidade”, disse Macron. “As tarifas não são boas para ninguém e, acima de tudo, entre os países do G7.”

--Com colaboração de Josh Wingrove.

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