Macron defende união de potências de médio porte para evitar domínio de China e EUA

Em visita à Ásia, presidente francês disse que os países europeus compartilham uma agenda comum com nações como Japão e Coreia do Sul, além de Austrália, Brasil, Canadá e Índia

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Bloomberg — O presidente francês, Emmanuel Macron, têm defendido que as potências de médio porte unam forças e fazer frente aos Estados Unidos e à China.

Macron reforçou a mensagem durante sua viagem pela Ásia na última semana, quando discutiu segurança marítima no Estreito de Ormuz e maior cooperação com a Coreia do Sul e o Japão — dois países duramente afetados pelos altos custos de energia enquanto a guerra no Irã mantém o estreito fechado.

“Nosso objetivo não é sermos vassalos de duas potências hegemônicas”, disse a estudantes em Seul. “Não queremos depender da dominância, digamos, da China, nem ficar expostos demais à imprevisibilidade dos EUA.”

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Segundo ele, países europeus compartilham uma agenda comum com nações como Japão e Coreia do Sul em temas como direito internacional, democracia, mudança climática e saúde global.

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Ele citou ainda outros países com alinhamento semelhante: Austrália, Brasil, Canadá e Índia.

Juntos, argumentou, esse grupo pode cooperar em inteligência artificial, espaço, energia, energia nuclear, defesa e segurança — “no que for preciso”.

Macron, que lidera a única potência nuclear da União Europeia e sua indústria de defesa mais poderosa, há muito defende que a Europa contrabalance os Estados Unidos e a China.

Durante viagem à China em 2023, provocou indignação entre aliados americanos na Ásia e na Europa ao afirmar que a UE não deveria ser “vassala” dos Estados Unidos.

Ele alertou contra o risco de ser arrastada para um conflito em torno de Taiwan, quando Pequim realizava exercícios militares ao redor da ilha autônoma, reivindicada pelo país.

Nos últimos anos, seguindo uma tradição estabelecida pelo líder francês da Segunda Guerra Mundial Charles De Gaulle, Macron tem buscado repetidamente um caminho intermediário entre China e EUA, alertando contra uma divisão da ordem global.

Mas, com o desrespeito dos Estados Unidos às instituições internacionais, a posição tradicional francesa passou a ressoar de forma diferente. Macron reforçará sua mensagem em junho, quando sediar a cúpula do G7 na França.

Os apelos de Macron surgem no momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também retomou ataques à Otan e a outros aliados, criticando especificamente França e Coreia do Sul por não o ajudarem o suficiente no conflito do país com o Irã.

Trump criticou a França por não permitir que aviões militares americanos sobrevoem seu território, chamando o país de “MUITO POUCO ÚTIL” e acrescentando “Os EUA VÃO LEMBRAR!!!” em uma postagem nas redes sociais. Macron tem reiterado que a França não foi consultada sobre a guerra e não participa dela.

“Os EUA são um grande país”, disse Macron, mas estão correndo o risco de abrir a “Caixa de Pandora” com a abordagem atual.

“Não acredito que resolveremos a situação apenas com bombardeios ou operações militares”, afirmou, em referência ao Irã. O líder francês citou Iraque, Síria e Afeganistão: “Nunca entregamos.”

Macron defendeu, em vez disso, um “mecanismo de desescalada com o Irã” e propôs uma missão de escolta para embarcações no Estreito de Ormuz após o fim dos bombardeios.

O conflito no Oriente Médio interrompeu o transporte marítimo comercial no estreito, por onde normalmente passa cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e gás natural liquefeito.

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