Bloomberg — O aeroporto do Kuwait suspendeu voos e uma instalação de petróleo foi atingida depois que o Irã avançou com um pesado ataque em retaliação aos bombardeios dos EUA, enquanto preocupações com uma reescalada da guerra impulsionaram forte alta nos preços do petróleo.
O país sofreu um dos ataques mais pesados desde o início do conflito no Oriente Médio, acionando várias rodadas de sirenes a partir do amanhecer deste sábado (18).
A Kuwait Petroleum Corporation informou que uma operação de petróleo não especificada sofreu “perdas materiais significativas” após os ataques iranianos, resultando em uma evacuação e em um número de feridos, segundo a agência estatal Kuwait News Agency. A Kuwait Airways remarcou a maioria de seus voos, enquanto o Ministério da Eletricidade e Água informou que equipes combatiam um incêndio em uma usina de energia e dessalinização atingida pelo Irã.
O Comando Central dos EUA informou anteriormente que uma sétima noite de ataques contra a República Islâmica foi interrompida às 21h30 (horário da Costa Leste) de sexta-feira (17), depois que suas forças atingiram locais de vigilância, infraestrutura logística militar, depósitos de armas subterrâneos e capacidades marítimas.
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Uma semana de ataques e contra-ataques de ambas as partes se ampliou para além de alvos estritamente militares para incluir pontes, serviços públicos e instalações portuárias, o que sugere pouca perspectiva de retorno ao frágil cessar-fogo assinado no mês passado.
O petróleo Brent disparou, subindo cerca de 4,6% na sexta-feira e fechando em torno de US$ 88, registrando o maior avanço semanal desde abril. Isso ocorreu após um relatório do Axios de que o governo Trump notificou Israel sobre o envio de mais aviões de reabastecimento ao país, um possível sinal de que as operações militares dos EUA poderiam ser ampliadas. Um oficial militar israelense confirmou no sábado o plano dos EUA de reforçar sua frota de aeronaves baseadas em Israel.
Teerã respondeu aos ataques dos EUA visando bases americanas no Kuwait, na Jordânia e no Bahrein — os três países que suportaram o peso dos contra-ataques do Irã desde a retomada dos combates no início da semana passada — e no Arquipélago de As Salamah, em Omã, situado no estreito.
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A defesa civil da Arábia Saudita informou no sábado ter emitido mensagens de alerta durante a noite sobre ameaças iminentes em Yanbu e na província de Kharj. Um alerta posterior informou que o perigo havia passado, sem fornecer mais detalhes.
O Irã também atingiu radares e aeronaves dos EUA no Catar, um dos principais mediadores entre Washington e Teerã, segundo a agência de notícias Tasnim.
Vários militares dos EUA ficaram feridos em ataques iranianos a pelo menos duas bases na Jordânia nesta semana, segundo a CBS, citando funcionários americanos não identificados. O Axios também informou separadamente que o Irã lançou um míssil balístico contra uma base americana na Arábia Saudita.
O Comando Central não respondeu imediatamente a um pedido de comentário na noite de sexta-feira.
A escalada gerou preocupações de que o acordo de cessar-fogo, concebido para ajudar a restabelecer a navegação regular pelo Estreito de Ormuz e estabelecer um processo para negociações de paz de longo prazo, não possa mais ser salvo.
Em pronunciamento à nação na noite de quinta-feira (16), o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a pintar a situação no Oriente Médio como um sucesso. Os EUA estão “ganhando muito no Irã, e vocês verão os frutos desse trabalho muito, muito em breve”, disse ele, antes de voltar sua atenção para questões internas.
China e Paquistão expressaram preocupação com os acontecimentos, pedindo que EUA e Irã cessem as hostilidades e retomem o diálogo.
Além de bombardear o Irã com mais frequência, os EUA voltaram a bloquear seus portos e revogaram uma isenção de sanções às exportações de petróleo do país.
A piora das hostilidades ainda está muito aquém da escala observada no auge da guerra, em março e início de abril. Naquela ocasião, EUA e Israel bombardeavam cidades iranianas em grande escala e Teerã disparava milhares de drones e mísseis contra estados árabes do Golfo e Israel.
Contudo, à medida que o Irã mantém os ataques marítimos e insiste que todos os navios obtenham sua permissão antes de atravessar o estreito, há grande probabilidade de que ambas as partes continuem a escalar a tensão, segundo Mehran Kamrava, professor de ciência política no campus da Universidade Georgetown no Catar.
Os ataques são “um sinal sinistro de que virá mais, coisas piores virão”, disse Kamrava à Bloomberg TV na sexta-feira, de Doha. “Nenhuma das partes quer ver essa escalada, mas ambas se tornaram dependentes de um ciclo de escalada do qual não podem recuar. Essa troca de ataques agora é muito perigosa no sentido de ataques e contra-ataques contra infraestruturas críticas.”
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