Bloomberg Línea — A Oxford Economics prevê que o conflito no Oriente Médio reduzirá o crescimento global, elevará a inflação e manterá os impactos no setor energético, cujos efeitos se prolongarão mesmo após o cessar-fogo.
O relatório da empresa de consultoria econômica indica que sua projeção de crescimento do PIB mundial diminuiu 0,4 pontos percentuais desde o início de março, ficando em 2,4% para 2026.
A estimativa é de que o PIB mundial cresça 3% tanto em 2027 quanto em 2028.
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A consultoria projeta que a economia do Brasil cresça 1,5% em 2026 e 2,2% em 2027. No caso do México, a expectativa é que a economia cresça 1,2% em 2026 e 1,9% em 2027.
“As revisões para baixo das projeções de crescimento do PIB em 2026 são generalizadas, refletindo maior incerteza, pressão sobre a renda real das famílias e perturbações causadas pela escassez de energia, especialmente na Ásia”, afirmou Ben May, diretor de Pesquisa Macroeconômica Global da Oxford Economics.
Ele explicou que a revisão para baixo nos Estados Unidos, de 2,8% para 1,9%, se deve a uma atividade mais fraca do que o previsto no início deste ano.
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A revisão para baixo das projeções de crescimento mundial reflete a expectativa de uma interrupção mais prolongada do transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz.
“O frágil cessar-fogo parece reduzir o risco de um cenário pior, mas, mesmo que a trégua se mantenha, levará tempo para que a produção de energia e o tráfego marítimo voltem aos níveis normais”, afirmou Ben May, diretor de Pesquisa Macroeconômica Global da Oxford Economics.
Globalmente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu nesta terça-feira sua previsão de crescimento global para 3,1% neste ano, em comparação com os 3,3% previstos em janeiro, devido ao impacto da guerra no Oriente Médio e à crise do petróleo.
“As perspectivas globais se tornaram repentinamente sombrias após o início da guerra no Oriente Médio”, destaca o fundo em seu relatório.
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“Antes da guerra, estávamos preparados para revisar para cima nossa previsão de crescimento global, o que refletia o dinamismo contínuo da economia mundial, impulsionado por um boom de investimentos em tecnologia, uma certa moderação nas tensões comerciais, o apoio fiscal em alguns países e condições financeiras favoráveis”, afirmou.
Estreito de Ormuz e o impacto sobre o petróleo
A Oxford Economics prevê que o Estreito de Ormuz permanecerá praticamente fechado até o final de abril.
Além disso, espera-se que os níveis de tráfego subam para cerca de 50% em maio e junho, antes de se recuperarem gradualmente nos seis meses seguintes.
“Isso faz com que o preço médio do petróleo Brent fique em torno de US$ 113 por barril no segundo trimestre, antes de cair para pouco menos de US$ 80 no final do ano, em linha com as premissas da segunda atualização das previsões, realizada no final de março”, indica.
De acordo com o relatório, o aumento dos preços do petróleo e de matérias-primas como gás, fertilizantes e produtos agrícolas impulsionaria a inflação global até um pico de 4,4% no segundo trimestre.
“Embora represente uma evolução negativa para as famílias e as autoridades, seria aproximadamente metade do pico observado em 2022”, observa a Oxford.
Para os analistas dessa consultoria, os bancos centrais enfrentam “um dilema incômodo”: escolher entre aumentar as taxas e agravar o panorama econômico, ou arriscar um aumento nas expectativas de inflação.
A previsão da Oxford Economics é de que o Federal Reserve reduza as taxas em 25 pontos-base em junho e setembro. “De modo geral, estima-se que os bancos centrais adotem uma postura menos restritiva do que os mercados antecipam”.