Bloomberg Línea — O Comitê Federal de Mercado Aberto do Federal Reserve (FOMC) decidiu nesta quarta-feira (29) pela manutenção de sua taxa básica de juros na faixa entre 3,5% e 3,75%.
A decisão teve a oposição de três autoridades, que expressaram preocupação com a inflação e defendiam um aumento dos juros. A manutenção foi decidida por 9 votos a 3.
“A atividade econômica está se expandindo em ritmo sólido, apesar da elevada incerteza decorrente, em parte, do conflito no Oriente Médio. O crescimento da produtividade e o investimento em capital estão robustos”, diz o comunicado do Fed sobre a decisão.
“A geração de empregos tem acompanhado a evolução da força de trabalho, e a taxa de desemprego apresentou pouca variação”, complementa.
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
Os votos contrários partiram de presidentes de bancos regionais — Beth Hammack (Cleveland), Neel Kashkari (Minneapolis) e Lorie Logan (Dallas) —, que haviam sido os mais enfáticos quanto à necessidade de taxas mais altas e votaram por um aumento de 0,25 ponto percentual.
Segundo o comunicado, a inflação permanece elevada em relação à meta de 2% do Comitê, refletindo, em parte, choques de oferta que impulsionaram aumentos de preços em certos setores, incluindo o de energia.
“O Comitê assegurará a estabilidade de preços”, diz.
Divergências
A votação marcou a quinta vez consecutiva em que as autoridades optaram por manter as taxas inalteradas.
No entanto, as divergências sugerem que poderá tornar-se mais difícil para o presidente do Fed, Kevin Warsh — que assumiu o cargo em maio —, continuar mantendo essa postura caso os receios em relação à inflação aumentem.
O índice S&P 500 reduziu as perdas após a decisão. Os rendimentos dos títulos do Tesouro de dois anos caíram.
Warsh prometeu reconduzir a inflação à meta de 2% do Fed, mas evitou afirmar explicitamente que elevaria as taxas para alcançar esse objetivo.
Várias autoridades declararam que a política monetária está bem posicionada no momento, mas também sinalizaram que poderiam apoiar aumentos nas taxas caso as pressões sobre os preços não diminuíssem em breve. O indicador de inflação preferido do Fed acelerou nos últimos meses, atingindo 3,4% no acumulado de 12 meses até maio. As autoridades receberão novos dados de inflação na quinta-feira.
Pressão Crescente
Um dado de inflação de junho abaixo do esperado aliviou parte da pressão sobre os formuladores de políticas para elevar as taxas nesta semana.
Os preços ao consumidor nos EUA caíram no mês passado pela primeira vez em seis anos, à medida que os preços da gasolina recuaram durante uma trégua na guerra do Irã. Um relatório separado mostrou que os preços ao produtor também subiram menos do que o esperado no mês passado.
Ainda assim, as autoridades enfrentam pressões crescentes sobre os preços após uma nova escalada do conflito ter feito o petróleo Brent disparar para além de US$ 100 o barril. Embora os preços do petróleo tenham recuado novamente nos últimos dias, o Brent permanecia próximo de US$ 90 na manhã de quarta-feira.
A incerteza em torno do conflito, combinada com uma nova série de tarifas e um aumento na demanda impulsionado pela IA, alimentou receios de que a inflação possa permanecer elevada por um período prolongado.
Enquanto isso, o mercado de trabalho tem registrado meses de crescimento modesto, porém constante, do emprego e uma taxa de desemprego estável.
Essa combinação levou Logan, no início deste mês, a defender taxas ligeiramente mais altas. Hammack também se manifestou, afirmando que a inflação era uma preocupação maior do que o emprego.
Antes da reunião, alguns economistas previram que Warsh poderia surpreender os investidores ao apoiar um aumento das taxas de juros. Nos dias que antecederam o encontro, as expectativas precificadas nos contratos futuros de federal funds indicavam uma probabilidade de até 40% para essa medida.
Analistas que acompanham o Fed consideraram que tal movimento seria politicamente astuto, visto que um aumento de juros mais próximo das eleições de meio de mandato, em novembro, poderia provocar uma reação negativa do presidente Donald Trump.
Trump tem defendido repetidamente a redução das taxas de juros, inclusive nesta segunda-feira. Warsh, indicado por Trump para o cargo no Fed no início deste ano, afirmou que manteria as decisões de política monetária independentes de influência política.
----Com informações da Bloomberg News