Bloomberg — Os Estados Unidos e o Irã disseram ter chegado a um acordo provisório para reabrir o Estreito de Ormuz, encerrando uma guerra que matou milhares de pessoas e abrindo caminho para 60 dias de negociações sobre o destino do programa nuclear do país.
Autoridades dos dois países se reunirão na Suíça em 19 de junho para assinar formalmente o acordo, decisão que sugere que aspectos do pacto ainda podem permanecer sem resolução.
Mas Trump havia dito no sábado que um acordo seria assinado no domingo (14) — seu 80º aniversário — e pressionou fortemente para que avançasse.
“Este Grande Acordo trará Paz e Segurança a toda a Região”, disse Trump numa publicação em rede social. Ele disse que o adiamento era “para fins de remoção de minas” do estreito, que abriria assim que o acordo fosse assinado.
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Centenas de navios ficaram presos em ambos os lados da via navegável, agitando o mercado global de energia.
O anúncio veio primeiro do primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, e foi seguido por Trump e pela mídia estatal iraniana, que retratou o acordo como uma capitulação dos Estados Unidos. Uma autoridade iraniana disse que o texto seria publicado após a assinatura do acordo.
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“O Irã oficialmente forçou o inimigo EUA-Israel a encerrar a guerra em todas as frentes”, disse a televisão estatal iraniana. Os dois lados concordaram em não atacar um ao outro e o Irã aparentemente terá alívio de sanções que miram suas vendas de petróleo no exterior.
O petróleo caiu após a notícia, mesmo com detalhes do acordo ainda sem resolução. O Brent caiu mais de 3% rumo a US$ 84 o barril, depois de fechar a semana passada no menor nível em mais de três meses, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) ficava perto de US$ 81.
O dólar recuou ante uma cesta das dez principais moedas globais no início das negociações na Ásia, com o dólar australiano, sensível ao risco, liderando os ganhos.
Um acordo ajudará a dissipar temores de um retorno imediato a um conflito que causou estragos nos mercados globais de energia e elevou os riscos de uma onda inflacionária.
Também aliviará parte da pressão política que Trump enfrentará antes das eleições legislativas em novembro. Pesquisas mostram que a guerra é profundamente impopular entre os americanos.
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Ao mesmo tempo, ambos os lados já apresentavam o acordo sob óticas diferentes minutos após ser anunciado — sugerindo o quão difícil será chegar a um entendimento sobre as questões pendentes em torno do programa nuclear do Irã.
O Irã disse que navios que passam pelo estreito seriam regulados pelo Irã e Omã — sugerindo que Teerã buscaria manter algum controle sobre a via navegável.
E o Irã disse que durante os 60 dias de negociações buscaria “a remoção de todas as sanções primárias e secundárias, bem como das resoluções contra o Irã”.
Qualquer movimento desse tipo exigiria aprovação do Congresso, que impôs algumas das sanções mais severas, e provavelmente provocaria protestos dos falcões anti-Irã nos EUA, que temem que Trump abra mão da influência americana.
Também não está claro quais incentivos financeiros o Irã receberá. Uma autoridade sênior americana que falou a repórteres na sexta-feira disse que os dois lados se aproximavam de um acordo no qual o Irã ganharia recompensas econômicas cada vez que cumprisse um conjunto de exigências americanas.
Pode haver também um elemento em que o Irã recebe ajuda para reconstruir o país após a campanha de bombardeios dos EUA e Israel que atingiu milhares de locais.
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Os EUA e o Irã permanecem profundamente desconfiados um do outro e restam graves questões sobre sua capacidade de chegar a um acordo mais amplo. O que permanece incerto é a posição de Israel, onde o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ameaçou a assinatura no último minuto com novos ataques ao Líbano.
Trump pode enfrentar forte reação dos falcões anti-Irã em casa, que temem que ele esteja apenas adiando questões como a capacidade nuclear do Irã e seu programa de mísseis balísticos, que foram as razões pelas quais ele iniciou a guerra em primeiro lugar.
Mas o Irã também exigiu acesso a bilhões de dólares em fundos congelados em contas bancárias no exterior, bem como alívio de longo prazo das sanções.
O anúncio foi resultado de semanas de negociações indiretas que se arrastaram entre Washington e Teerã desde que um cessar-fogo entrou em vigor no início de abril, com confrontos intermitentes ameaçando descartar os esforços diplomáticos para encerrar a guerra.
O Irã fechou o Estreito de Ormuz pouco depois de bombardeios dos EUA e Israel desencadearem a guerra, interrompendo o conduto por onde tipicamente passa um quinto do fornecimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito.
O ponto de passagem para embarcações que entram e saem do Golfo Pérsico permanece fortemente bloqueado, com travessias representando apenas uma pequena fração dos níveis pré-guerra.
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-- Com a colaboração de Cormac Mullen.
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