Bloomberg — Os EUA afirmaram ter interceptado um ataque iraniano contra bases militares, pondo fim a uma trégua de vários dias nos combates e aumentando o risco de um retorno à guerra em grande escala no Oriente Médio.
“Forças da Guarda Revolucionária Islâmica lançaram vários mísseis balísticos a partir do Irã, numa tentativa de ataque surpresa contra as forças americanas baseadas no Oriente Médio”, informou o Comando Central dos EUA na noite desta terça-feira. “Todos os mísseis iranianos foram interceptados com sucesso. As forças americanas permanecem vigilantes e em alto estado de prontidão.”
O comando regional informou ainda que as forças dos EUA e da Arábia Saudita realizaram ataques militares contra militantes apoiados pelo Irã no Iraque, depois que a Guarda Revolucionária Islâmica de Teerã (IRGC) ordenou 30 ataques com drones contra as forças americanas nas últimas 72 horas. Os ataques ligados ao Irã não tiveram sucesso, afirmou o Centcom.
A agência de notícias estatal iraniana IRIB informou que a IRGC disparou mísseis balísticos contra uma base aérea militar dos EUA e um centro de comando central em resposta a “ações agressivas dos EUA”, sem especificar nenhuma operação em particular.
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
A IRIB também informou que o Irã “atacou e paralisou” três petroleiros que transitavam por uma rota que Teerã descreveu como insegura e ilegal.
O preço do petróleo subiu e os títulos do Tesouro caíram após os últimos confrontos. O Brent subiu mais de 4%, para cerca de US$ 87,50 o barril, recuperando-se de sua maior queda em três dias desde abril de 2020.
O ataque iraniano aumentou a possibilidade de uma nova escalada, apesar das repetidas garantias do presidente Donald Trump de que a diplomacia com Teerã estava avançando. Trump tem buscado acalmar o conflito e reabrir o Estreito de Ormuz, embora o Irã tenha negado estar envolvido em negociações ativas com Washington.
“Acho que estamos em uma posição muito forte neste momento”, disse Trump à Fox News na manhã desta terça-feira. Ele reiterou sua ameaça de bombardear as principais pontes do Irã caso não seja possível chegar a um acordo, mas acrescentou: “Se eu puder evitar fazer isso, gostaria de fazê-lo”.
Trump recebeu o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu na Casa Branca para conversações, já que a guerra tem prejudicado as relações entre dois aliados normalmente firmes.
Leia também: Muito além do petróleo: guerra no Oriente Médio ameaça cadeias globais de suprimento
Netanyahu estava em Washington para o funeral do senador Lindsey Graham, um crítico ferrenho do Irã de longa data.
Netanyahu tem pressionado os EUA a garantir que o Irã nunca adquira armas nucleares.
Trump, embora insista em compartilhar desse objetivo, tem se concentrado mais em garantir um acordo pelo qual Teerã flexibilize seu controle sobre o Estreito de Ormuz e permita que embarcações transitem mais facilmente por essa via navegável crucial.
“Foi uma das melhores reuniões que já tivemos”, afirmou Netanyahu em entrevista à Fox News, acrescentando que o encontro ressaltou o compromisso comum de impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear.
Outras questões também têm levado os dois líderes a lidar com uma relação complicada, incluindo um acordo nuclear dos EUA com a Arábia Saudita e a possível venda de caças F-35 à Turquia — ambos os quais têm suscitado preocupações israelenses quanto a uma corrida armamentista na região.
Israel “apoia plenamente qualquer caminho que o presidente decida seguir”, disse o porta-voz Doron Spielman à Bloomberg. “Isso pode ser resolvido da maneira fácil — por meio de negociações, o que todos prefeririam — ou da maneira difícil.”
Uma segunda autoridade israelense afirmou que a possibilidade de os EUA venderem caças F-35 à Turquia não foi abordada na reunião.
O mesmo ocorreu com o futuro da “Montanha da Picareta”, no Irã, que os EUA e Israel suspeitam ser uma instalação nuclear e que Trump ameaçou atacar, disse Tzipi Hotovely aos repórteres.
Leia também: Trump tenta reconstruir barreira tarifária e pode aprofundar danos à economia dos EUA
O Estreito de Ormuz tem estado no centro das recentes hostilidades após o colapso de um acordo de paz provisório.
Negociadores do Irã e de Omã estão trabalhando em um acordo para retomar o tráfego marítimo substancial pelo estreito, uma medida que permitiria ao Irã e aos EUA retomar as negociações formais sobre o programa nuclear de Teerã e encerrar definitivamente a guerra entre os dois países, segundo pessoas a par da situação, que pediram para não serem identificadas ao se pronunciarem sobre assuntos delicados.
Autoridades de Omã esperam fazer um anúncio sinalizando progresso nos próximos dias, afirmaram essas fontes. Teerã não está satisfeita com a oferta de Omã de controle compartilhado sobre o estreito, disse uma autoridade iraniana à televisão estatal.
O preço da gasolina disparou durante o auge da temporada de viagens de verão, o que aumentou a insatisfação dos americanos com o já impopular esforço de guerra — e com o Partido Republicano de Trump — antes das eleições intermediárias de novembro, que determinarão o controle do Congresso.
Poucos navios têm transitado pelo Estreito de Ormuz — pelo menos com seus transponders ligados —, já que o Irã continuou a ameaçar embarcações que tentavam passar sem sua permissão.
Os EUA restabeleceram seu bloqueio naval para impedir que navios atracassem em portos iranianos, e uma retomada das hostilidades aumentaria ainda mais os riscos para as empresas de transporte marítimo na região.
--Com a colaboração de Arsalan Shahla, Anand Krishnamoorthy, Ryan Chua, Kate Sullivan, Alisa Odenheimer, Meghashyam Mali, John Harney, Jon Herskovitz, Iain Marlow e Michael Heath.
Veja mais em bloomberg.com
Leia também
Brent pode passar de US$ 120 o barril se bloqueio de Ormuz persistir, diz Goldman