Cuba na mira de Trump: plano da Casa Branca tornaria os EUA patronos da ilha

Presidente americano quer usar a pressão econômica para tornar Cuba financeiramente dependente de Washington da mesma forma que ela esteve sob a União Soviética até o colapso comunista em 1991, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg News

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Bloomberg — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, viu a captura de Nicolás Maduro, da Venezuela, como uma operação rápida e precisa que não poderia ter saído melhor. A meio mundo de distância, no Irã, o que ele esperava que fosse outra campanha rápida se transformou em algo muito mais complicado.

Mais perto de casa, um terceiro país está na mira de Trump: Cuba. E embora o país possa temer uma invasão militar, os últimos indícios sugerem que Trump considera uma terceira via.

Trump, que derrubou Maduro em uma operação em janeiro, que durou apenas algumas horas, tem deixado os mercados e aliados em suspense sobre os próximos passos em seus planos de mudança de regime para a ilha localizada a 145 km da costa da Flórida, cujos líderes comunistas têm resistido à pressão dos EUA há décadas.

Fontes familiarizadas com o assunto ouvidas pela Bloomberg News dizem que Trump tem, sim, um plano. Ele quer usar a pressão econômica americana para tornar Cuba financeiramente dependente de Washington. Os EUA, essencialmente, assumiriam o lugar de sua antiga rival, a União Soviética, que manteve Cuba de pé antes de seu colapso em 1991.

“Cuba vai cair muito em breve”, disse Trump à CNN na semana passada. “Cuba está pronta — depois de 50 anos”.

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Diante da crescente pressão, o governo em Havana prometeu libertar dezenas de prisioneiros na noite de quinta-feira (12).

A especulação sobre uma possível derrubada militar do regime comunista cubano tem circulado em Washington, enquanto os ataques dos EUA no Irã continuam, alimentada em parte por declarações de aliados como o senador Lindsey Graham, que disse à Fox News, nesta semana, que “o Irã está caindo, e Cuba é a próxima”.

Mas pessoas familiarizadas com o pensamento de Trump, que pediram para não serem identificadas por se tratar de deliberações confidenciais, dizem que essa não é a opção preferida.

Em Cuba, Trump e seus principais aliados querem substituir o presidente Miguel Diaz-Canel, a quem culpam por levar a economia ao colapso e consideram incapaz de supervisionar as mudanças políticas e econômicas necessárias, segundo uma das fontes.

Autoridades dos EUA mantiveram conversas com Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto de Raúl Castro — ex-presidente cubano e irmão do falecido Fidel Castro.

Coronel do Ministério do Interior de Cuba, o Castro mais jovem possui fortes laços familiares com o conglomerado militar que controla grande parte da economia cubana.

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Trump e altos funcionários dos EUA, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio, têm apertado o cerco econômico a Cuba desde janeiro, quando os EUA anunciaram uma quarentena sobre o petróleo destinado ao governo. O presidente usou ameaças de tarifas para convencer o México, o último grande fornecedor de petróleo para a ilha após a remoção de Maduro, a interromper os embarques à ilha.

Os EUA agora estão regulamentando o fluxo de energia para o país ao permitir que empresas vendam combustível para seu setor minúsculo, porém em rápido crescimento, de pequenas e médias empresas — mas não para o governo.

Questionada para comentar na noite de quinta-feira, a embaixada cubana em Washington remeteu a comentários feitos no Facebook pelo vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernandez de Cossio, nos quais ele chamou a quarentena dos EUA às importações de energia pelo governo de “uma forma de punição coletiva que permanece”.

“A possibilidade de vendas condicionais ao setor privado já existia e não alivia o impacto sobre a população”, afirmou.

Diaz-Canel tem afirmado estar disposto a negociar com os EUA, mas em pé de igualdade. Ele também alertou que o país está reforçando suas defesas militares.

Atrair investimentos para a economia cubana provavelmente se provaria ainda mais difícil do que na Venezuela, já que Cuba não possui recursos petrolíferos e naturais comparáveis ​​para desenvolver.

Ainda assim, Havana pode oferecer a Trump uma chance de sucesso enquanto a guerra no Irã se arrasta, mesmo que ele não consiga a derrubada completa do regime de Castro, algo que Rubio e outros nos EUA buscam há muito tempo.

O governo não parece estar planejando um ataque militar contra Cuba, mas sim uma transição negociada no governo, afirmou Kimberly Breier, subsecretário de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental durante o primeiro mandato de Trump.

“O fator preponderante tanto na Venezuela quanto em Cuba é a estabilidade”, disse Breier, atualmente consultor sênior da empresa de estratégia Torridon Group, em Washington. “O governo quer mudanças, mas não quer que sejam caóticas, que provoquem migração em massa e gerem mais oportunidades para adversários. É mais uma abordagem gradual, baseada na estabilidade”.

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