Bloomberg — Os estudantes franceses do ensino médio saíram às ruas nesta terça-feira (13), estendendo seu movimento para a terceira semana, sem que se vislumbre uma resposta clara dos formuladores de políticas às suas reivindicações.
Um protesto organizado pelos principais sindicatos de estudantes e professores reuniu 41,5 mil pessoas em Paris e 161,5 mil em todo o país, segundo o Ministério do Interior. Houve danos à infraestrutura urbana e carros incendiados, informou a agência de notícias France-Presse.
Os números oficiais sugerem que as manifestações de rua podem estar perdendo força. Em seu auge, na última terça-feira (6), os protestos levaram mais de 250 mil pessoas às ruas em toda a França, exigindo mais recursos para a educação. Em alguns momentos, os protestos se tornaram violentos, com confrontos com a polícia que resultaram em cerca de 7 mil prisões.
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As organizações estudantis estimaram que o número total de participantes chegou a cerca de 480 mil em toda a França na terça-feira, um aumento em relação à semana passada.
No entanto, o governo não está em condições de aumentar drasticamente o orçamento do Ministério da Educação. Com os debates começando na Assembleia Nacional, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu está tentando obter apoio parlamentar para restringir drasticamente os gastos gerais, a fim de reduzir o déficit fiscal para 5% do produto interno bruto em 2027 — meta que não foi atingida este ano.
Os grupos da oposição, que já derrubaram dois primeiros-ministros por causa de planos orçamentários nos últimos dois anos, mostram-se relutantes em chegar a um acordo, faltando menos de sete meses para as eleições presidenciais.
As preocupações com as finanças do país, agora centradas nas negociações sobre o orçamento, devem se prolongar até a eleição presidencial de 2027 e além. A onda de vendas no mercado nas últimas semanas já fez com que os custos dos empréstimos disparassem para níveis não vistos em quase um quarto de século. Na sexta-feira (9), o prêmio de risco da dívida francesa de 10 anos em relação à da Itália atingiu um recorde.
Alunos do ensino médio estão protestando contra uma série de questões, incluindo falta de pessoal, superlotação e horários de aula caóticos. Eles continuam exigindo mais recursos, apesar das medidas de emergência anunciadas na semana passada para atender a algumas de suas preocupações.
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Estimou-se que cerca de 200 escolas ficassem fechadas na terça-feira em decorrência dos protestos, afirmou o ministro da Educação, Edouard Geffray, à rádio France Inter. “É uma espécie de recuo em relação às semanas anteriores”, disse ele.
Os canais de notícias exibiram imagens de tensões entre manifestantes e a polícia em Nantes e Estrasburgo na tarde desta terça-feira, antes do início do protesto em Paris. A ativista sueca Greta Thunberg foi vista em frente a uma escola de ensino médio em Saint-Denis, ao norte de Paris. Cerca de 90% das universidades da França também tiveram suas atividades bloqueadas ou interrompidas, segundo a L’Union Étudiante.
O aumento dos preços dos combustíveis também gerou crescentes preocupações com a possibilidade de agitação mais ampla, com apelos nas redes sociais para retomar, neste sábado, os protestos no estilo dos “Coletes Amarelos” — um movimento popular que teve início em 2018 e posteriormente se transformou em manifestações em todo o país.
Mais protestos e greves já estão previstos para 5 de novembro, e os sindicatos CFDT, CGT e FO convocaram os trabalhadores dos setores público e privado a se mobilizarem em prol de empregos e salários mais altos, e contra o projeto de orçamento.
Cerca de 57% dos franceses apoiam o movimento estudantil, de acordo com uma pesquisa da Cluster 17 divulgada no domingo (11).
“Há um consenso quanto ao declínio do sistema de ensino público, o que significa que suas reivindicações são, em geral, compreendidas”, afirmou Jean-Yves Dormagen, fundador da empresa de pesquisas Cluster 17.
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