Bloomberg Línea — O crime e a violência lideram a lista de preocupações mundiais, com 33% dos entrevistados considerando-os o principal problema de seu país, seguidos pelo desemprego, pela inflação e pela pobreza e desigualdade social (todos com 29%), de acordo com um relatório da Ipsos.
Enquanto isso, a corrupção financeira e política aparece logo em seguida, com 28%, segundo o relatório What Worries the World?, publicado por essa empresa francesa de pesquisa de mercado.
Em seguida, vêm as preocupações relacionadas à saúde (24%), impostos (17%), controle migratório (17%), educação (14%), conflitos militares entre nações (12%), mudanças climáticas e declínio moral (ambos com 12%), aumento do extremismo (10%) e terrorismo (8%), entre outros.
O relatório é elaborado mensalmente em 30 países, com cerca de 20.000 adultos. O trabalho de campo deste mês foi realizado de 20 de fevereiro a 6 de março.
“O conflito no Irã começou em 28 de fevereiro. Alguns países incluídos em nossa pesquisa já haviam concluído o trabalho de campo antes dessa data, enquanto outros o fizeram depois. Portanto, os resultados podem não refletir a percepção atual”, esclarece.
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De acordo com o relatório, 61% dos entrevistados consideram que seu país está indo na direção errada, contra 39% que acreditam que ele está no caminho certo.
Quanto à sua situação financeira, 60% a classificam como ruim, enquanto 40% a consideram boa.
Nos países da região, 51% dos argentinos acreditam que o país está indo na direção errada.
Na Colômbia, 55% das pessoas têm essa percepção, enquanto no Chile esse número é de 56%.
Entre os mexicanos, 64% acreditam que seu país está indo na direção errada, enquanto no Brasil 65% compartilham desse sentimento e no Peru 87%.
Preocupação com a violência
De acordo com a Ipsos, oito países no mundo consideram o crime e a violência como seu principal problema, sem alterações nesse número em relação ao mês passado.
Entre os países consultados em todo o mundo, a violência preocupa mais no Peru (64%), no México (61%) e no Chile (59%).
No Brasil, a violência também é a principal preocupação dos cidadãos (48%), de acordo com o relatório.
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Por outro lado, a Colômbia saiu das primeiras posições depois que o índice de preocupação caiu 6 pontos percentuais, para 37%.
Em todo o mundo, Israel considera agora a violência sua principal preocupação, depois que a porcentagem de pessoas que a apontam como tal aumentou 5 pontos percentuais desde fevereiro, chegando a 45%.
Entre os países analisados, a violência preocupa menos na Polônia (13%) e em Cingapura (7%).
A Argentina e o desemprego
Depois da África do Sul (66%), a Argentina é o segundo país com maior preocupação com o desemprego entre todos os mercados analisados no mundo.
De acordo com o relatório, 60% dos argentinos afirmam que o desemprego é um problema, o que representa a taxa mais alta da última década.
A taxa de desemprego na Argentina ficou em 7,5% no primeiro trimestre de 2025, um aumento de 1,1 ponto percentual em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, quando havia ficado em 6,4%, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec).
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Além disso, ficou acima de 5,7% no final de 2023, período em que Javier Milei assumiu a presidência.
A pobreza e a desigualdade social também preocupam 44% dos entrevistados na Argentina, o segundo nível mais alto do mundo, atrás apenas da Indonésia (50%). A Argentina é o país mais preocupado do mundo com questões relacionadas à educação (30%).
Preocupação com a inflação
A Argentina também figura entre os 10 países mais preocupados com a inflação no mundo, com 36% dos entrevistados considerando-a um problema.
De acordo com o Indec, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) na Argentina ficou em 33,1% em relação ao ano anterior em fevereiro, registrando sua quarta aceleração consecutiva.
Depois da Argentina, os países mais preocupados com a inflação na América Latina são o México (29%), o Brasil e o Chile (22%), a Colômbia (19%) e, em menor grau, o Peru (15%).
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O Citi continua a apontar para “uma crescente” divergência nas trajetórias da inflação e das taxas de juros na América Latina até 2026, com perspectivas mais favoráveis para o Brasil e desafios persistentes na Colômbia e no México.
Embora a inflação tenha convergido para as metas dos bancos centrais da América Latina, isso ocorreu em ritmos diferentes. “Essa divergência se deve a fatores específicos, como o impacto das políticas sobre os preços, a escassez no mercado de trabalho e as posições dos bancos centrais”, afirmou o Citi.
Corrupção
No que diz respeito à corrupção, a Ipsos indica que vários países atingiram novos patamares de preocupação neste mês.
“Em particular, o nível de preocupação nos Estados Unidos aumentou ligeiramente, chegando a 33%. No entanto, esse número é agora o mais alto registrado no país em uma década”, afirma.
Desde o mês passado, tornou-se a segunda maior preocupação dos americanos, ficando atrás apenas da inflação.
Entre os países da América Latina, essa é uma questão que preocupa mais no Peru (54%), no Brasil (42%) e na Colômbia (37%).
Atualmente, as áreas de infraestrutura e compras públicas representam os maiores riscos de corrupção na América Latina, segundo o Escritório das Nações Unidas para Serviços de Projetos (UNOPS), entidade que insta os governos a aproveitar melhor os recursos para obter resultados com impacto em grande escala.
“Assim como a infraestrutura, as compras públicas também são um problema e é uma área em que também existe muita, muita, muita corrupção”, afirmou Dalila Gonçalves, diretora regional da UNOPS para a América Latina e o Caribe, em uma entrevista recente à Bloomberg Línea.