Bloomberg Línea — Riscos ligados à confrontação econômica passaram a liderar o ranking de ameaças a uma crise global em 2026, com avanço de duas posições em relação ao ano passado, segundo pesquisa divulgada pelo Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês) em parceria com a Marsh e a Zurich.
De acordo com o Relatório de Riscos Globais 2026, 18% dos entrevistados indicaram que o confronto econômico é o fator com maior probabilidade de desencadear um choque de alcance mundial .
O relatório leva em consideração as perspectivas de mais de 1.300 especialistas e 11.000 líderes empresariais em todo o mundo.
Este resultado ocorre em meio aos impactos gerados pela guerra comercial global desde o retorno ao poder do presidente dos EUA, Donald Trump, há quase um ano.
Uma das conclusões é que o multilateralismo está em declínio, com diminuição da confiança, transparência e respeito pelo Estado de Direito, à medida que aumenta o protecionismo.
O conflito armado entre Estados é considerado o segundo risco mais significativo, apontado por 14% dos participantes da pesquisa.
“Em um mundo já enfraquecido pelo aumento das rivalidades, pela instabilidade das cadeias de abastecimento e pelos conflitos prolongados com risco de contágio regional, esse confronto acarreta consequências globais sistêmicas, deliberadas e de grande alcance, o que aumenta a fragilidade dos Estados”, indicou o WEF.
Em seguida, aparecem outros riscos, como eventos climáticos extremos (8%), polarização social e desinformação e informações erradas (ambos com 7%).
Outro risco relevante é a desaceleração econômica (5%).
De modo geral, os riscos econômicos estão ganhando importância, com um forte aumento na percepção de recessão econômica e inflação.
Em seguida, vêm a erosão dos direitos humanos e/ou liberdades civis (4%), resultados adversos das tecnologias de IA (4%), insegurança cibernética (3%) e desigualdade (3%) como principais preocupações.
De acordo com o WEF, “a incerteza é o tema determinante das perspectivas de riscos globais em 2026”.
50% dos especialistas consultados antecipam um panorama turbulento ou tempestuoso nos próximos dois anos.
Essa porcentagem sobe para 57% nos próximos 10 anos.
Apenas 1% espera um panorama “calmo” em ambos os horizontes.
O desafio para a América Latina
Gerardo Herrera, diretor da Marsh Advisory para a América Latina e o Caribe, disse em comunicado que o mundo enfrenta um contexto marcado por crescentes disparidades de desigualdade e tensões econômicas cada vez mais agudas.
Ele ressalta que a cooperação internacional enfrenta desafios devido às incertezas que ameaçam a vigência do multilateralismo.
Nesse sentido, considerou que a região enfrenta o desafio urgente de elaborar estratégias próprias que promovam um desenvolvimento sustentável e equitativo.
“Isso implica promover um crescimento inclusivo que reduza as desigualdades estruturais, fortalecer a resiliência diante dos impactos climáticos que já afetam a região e acelerar a adoção e o desenvolvimento de tecnologias quânticas como motor da inovação”, comentou Gerardo Herrera.
No entanto, ele destacou que é fundamental que esses avanços “não se transformem em novos cenários de concorrência estratégica nem em fatores que aprofundem a fragmentação econômica e a polarização política interna e externa”.
Perspectivas de riscos globais
Atuais
- Confrontos econômicos – 18%
- Conflito armado entre Estados – 14%
- Eventos climáticos extremos – 8%
- Polarização social – 7%
- Desinformação e informação errada – 7%
- Desaceleração econômica – 5%
- Erosão dos direitos humanos e/ou liberdades civis – 4%
- Resultados adversos das tecnologias de IA – 4%
- Insegurança cibernética – 3%
- Desigualdade – 3%
Dois anos
- Confrontos econômicos
- Desinformação e informação errada
- Polarização social
- Eventos climáticos extremos
- Conflito armado entre Estados
- Insegurança cibernética
- Desigualdade
- Erosão dos direitos humanos e/ou das liberdades civis
- Contaminação
- Migração ou deslocamento involuntário
A 10 anos
- Eventos climáticos extremos
- Perda de biodiversidade e colapso dos ecossistemas
- Mudança crítica nos sistemas da Terra
- Desinformação e informação errada
- Resultados adversos das tecnologias de IA
- Escassez de recursos naturais
- Desigualdade
- Insegurança cibernética
- Polarização social
- Contaminação