Coalizão de aliados dos EUA discute reabrir Ormuz e garantir fluxo de energia

Mais de 40 países se reuniram para discutir alternativas à reabertura da hidrovia, em meio a temores de que os EUA deixem o conflito sem solução para a rota

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Bloomberg — Mais de 40 aliados dos EUA se reuniram na quinta-feira para discutir planos de reabertura do Estreito de Ormuz, em um sinal para o presidente Donald Trump da profunda preocupação da comunidade internacional com a crise na hidrovia desencadeada por sua guerra contra o Irã.

O Reino Unido convocou nações da Europa, do Oriente Médio e da Ásia, bem como a Austrália e o Canadá, para considerar a possibilidade de uma aproximação diplomática com Teerã e possíveis sanções, caso o país não concorde em desbloquear a rota de navegação essencial para o fornecimento global de energia.

A reunião virtual parecia destinada a demonstrar a posição compartilhada por dezenas de aliados americanos de que Trump não deveria se afastar do conflito sem encontrar uma solução para o estreito, como o presidente ameaçou repetidamente fazer.

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Os países temem que Trump encerre sua operação no Irã sem um plano para reabrir a hidrovia, deixando para eles a responsabilidade de lidar com as consequências.

A comunidade internacional deixou claro que os EUA precisavam incluir uma solução para Ormuz nas negociações de cessar-fogo com o Irã, disseram pessoas familiarizadas com as discussões à Bloomberg News.

Ainda assim, a reunião virtual mostrou que a coalizão de países considera necessário iniciar os preparativos para ter que reabrir o estreito sem os EUA.

Trump criticou fortemente os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte por não estarem dispostos a enviar suas próprias forças armadas para a hidrovia - chegando ao ponto de ameaçar deixar a aliança.

A reunião de quinta-feira também pareceu ser uma tentativa da Grã-Bretanha, da França e de outros países europeus, que foram criticados por Trump recentemente, de mostrar disposição em contribuir para uma solução para Ormuz.

Entre os participantes da ligação, o Japão pediu que cada país cooperasse para estabelecer corredores marítimos seguros para todas as embarcações e tripulações atualmente presas no Golfo Pérsico, de acordo com um comunicado do Ministério das Relações Exteriores.

O ministro das Relações Exteriores do Japão, Toshimitsu Motegi, que participou do telefonema, também “ressaltou a importância de cada país fazer o máximo esforço para garantir um fornecimento estável de energia”, de acordo com o comunicado.

Os planejadores militares da coalizão de países se reunirão na próxima semana para discutir como seus recursos navais poderão ser utilizados para ajudar a policiar e remover as minas do estreito após o fim dos combates.

Há pouco apetite entre a grande maioria da coalizão para tentar reabrir a hidrovia à força, pois eles não veem essa solução viável e não acreditam que a crise possa ser resolvida sem a concordância do Irã.

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Os participantes viram as Nações Unidas como uma parte importante dos esforços diplomáticos para pressionar o Irã, apontando para o trabalho com os parceiros do Golfo em um esforço para retornar à liberdade de navegação.

As tentativas do Irã de introduzir um regime de pedágio criariam um precedente inútil e houve um amplo apoio à livre passagem pelo estreito, disseram as pessoas familiarizadas com a discussão.

Medidas econômicas, incluindo sanções, também foram discutidas para garantir que o Irã não possa continuar lucrando com o fechamento.

--Com a ajuda de Andrea Palasciano, Sakura Murakami e Laura Davison.

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