Bloomberg — Autoridades do Federal Reserve sinalizaram novas preocupações com a inflação, com “vários” membros do comitê sugerindo que o banco central dos EUA pode precisar aumentar as taxas de juros, se a inflação permanecer acima da meta estabelecida.
“Vários participantes indicaram que teriam apoiado uma descrição bilateral das futuras decisões do comitê sobre as taxas de juros, refletindo a possibilidade de que ajustes para cima na meta da taxa dos federal funds pudessem ser apropriados caso a inflação permanecesse acima da meta”, conforme consta na ata da reunião do banco central em janeiro.
A ata da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto de 27 e 28 de janeiro, divulgada na quarta-feira (18), também revelou que “a grande maioria dos participantes considerou que os riscos de queda para o emprego diminuíram nos últimos meses, embora o risco de inflação mais persistente permaneça”.
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A reunião do Fomc decidiu por 10 a 2 manter a taxa básica de juros dos federal funds na faixa de 3,5% a 3,75% ao ano. Os diretores Christopher Waller e Stephen Miran discordaram e defenderam uma redução de 0,25pp. Os representantes retiraram a linguagem que apontava para o aumento dos riscos de queda no emprego, que havia aparecido nas três declarações anteriores.
A ata também indicou que um grupo de diretores estava adotando uma visão menos aberta a novos cortes nas taxas de juros, pelo menos no curto prazo.
“Vários participantes alertaram que um maior afrouxamento da política monetária, num contexto de elevadas taxas de inflação, poderia ser interpretado erroneamente como uma diminuição do compromisso com a meta de inflação de 2%”, diz a ata.
Diversos diretores consideraram provável a ocorrência de novos cortes nos juros caso a inflação diminuísse conforme o esperado, embora a maioria tenha afirmado que a evolução da inflação poderia ser mais lenta do que o previsto em geral.
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Os números divulgados desde a reunião de janeiro do Fed sinalizam crescimento acelerado, inflação em desaceleração e um mercado de trabalho estabilizado. O índice de preços ao consumidor subiu modestamente em janeiro, contido pela queda nos custos de energia, segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho. Um indicador subjacente, conhecido como núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, avançou conforme o esperado em relação ao mês anterior.
Em janeiro, o número de empregos aumentou no maior ritmo em mais de um ano e a taxa de desemprego caiu inesperadamente, sugerindo que o mercado de trabalho continuou a se estabilizar no início de 2026. Os empregadores criaram 130.000 vagas e a taxa de desemprego caiu para 4,3%, segundo dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS).
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Desde a reunião de janeiro, vários membros do Fed têm afirmado que uma economia americana estável em geral dá margem para serem pacientes na avaliação de novos ajustes nos juros. O presidente Donald Trump e outros membros do governo continuam a exigir que o Fed reduza as taxas imediatamente.
Neste ano, os investidores reduziram suas expectativas sobre quando as autoridades poderão reduzir as taxas de juros novamente, embora os contratos futuros sugiram, mesmo assim, que um corte até junho é provável.
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