Bloomberg — O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou que a era dos laços “incondicionais” entre os Estados Unidos e a Europa, construída desde a Segunda Guerra Mundial, chegou ao fim, pelo menos por enquanto — a mais recente manifestação de uma ruptura nas relações sob a presidência de Donald Trump.
“Essa era de amizade transatlântica incondicional provavelmente chegou ao fim no futuro previsível”, disse Merz aos membros do partido em Berlim na quinta-feira (17).
“Do outro lado do Atlântico, estamos vendo uma mudança nas atitudes políticas, uma mudança na avaliação da aliança transatlântica, algo que talvez não tivéssemos considerado possível.”
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Merz, em um discurso de campanha na sede de seu partido conservador antes da eleição estadual de Berlim no domingo, comparou o atual relacionamento com os Estados Unidos às visitas anteriores de presidentes americanos à capital alemã, citando discursos famosos de John F. Kennedy e Ronald Reagan.
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Seus comentários ocorreram no mesmo dia em que ele conversou por telefone com Trump, ocasião em que os dois “enfatizaram o vínculo especial entre alemães e americanos”, segundo um porta-voz do governo alemão.
Os dois também discutiram os esforços dos Estados Unidos para pôr fim à guerra da Rússia contra a Ucrânia, bem como o atual atrito comercial no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho.
O discurso de Merz ocorreu no momento em que o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, acolheu uma proposta para se tornar um “membro associado” da União Europeia nesta semana.
Trump respondeu ameaçando uma nova rodada de tarifas contra o bloco de 27 membros caso considere que a nova relação seja prejudicial aos Estados Unidos.
Trump elogiou a vitória surpreendente do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha nas eleições estaduais no início deste mês, um evento que abalou a classe política do país e gerou pedidos para que Merz se afastasse do cargo.
Merz tem um histórico de provocar o governo Trump com sua retórica. Em abril, ele disse a um grupo de estudantes que os negociadores dos Estados Unidos que buscavam uma saída para a guerra com o Irã estavam sendo “humilhados”. O presidente dos Estados Unidos respondeu com o anúncio da retirada de cerca de 5.000 soldados do país.
Os comentários ecoam os feitos pela então chanceler Angela Merkel, que, em maio de 2017, durante o primeiro mandato de Trump, afirmou em um comício que as relações confiáveis forjadas desde a Segunda Guerra Mundial “estão, em certa medida, acabadas”. Os comentários chamaram a atenção mundial.
-- Com a colaboração de Ellen Milligan e Michael Nienaber.
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