US$ 84 tri em heranças: como investem os sucessores dos baby boomers, segundo a Natixis

Há um interesse crescente por ativos privados, criptomoedas e investimentos sustentáveis, o que significa que ‘consultores deverão ampliar sua perspectiva para além das classes de ativos tradicionais’, segundo relatório da Natixis IM

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Bloomberg Línea — Os adultos da geração baby boomer herdarão, globalmente, mais de US$ 84 trilhões nos próximos 20 anos, em uma grande transferência de riqueza que muda o panorama em matéria de consultoria financeira e investimentos para seus beneficiários, de acordo com um relatório da Natixis Investment Managers (Natixis IM).

Com os primeiros dos 1,1 bilhão de baby boomers que completam 80 anos em 2026, o setor de consultoria financeira se prepara para uma transformação, na qual serão os herdeiros que definirão quem administrará o patrimônio que receberão, de acordo com o relatório Great Wealth Transfer.

“A grande transferência de patrimônio representa um desafio fundamental para os consultores, por isso será essencial adaptar-se às preferências dos novos herdeiros”, afirmou Andrew Benton, diretor para o Norte da Europa, Oriente Médio e África da Natixis IM.

À medida que os ativos passam para outras mãos, Andrew Benton explica que será necessário reavaliar os perfis de risco e as preferências de investimento, levando em conta as diferenças na forma como cada um aborda o investimento.

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De modo geral, a Natixis explica que os jovens investidores entrevistados demonstram uma clara preferência por determinadas classes de ativos e estruturas de produtos, sobretudo no que diz respeito a ativos privados.

A Natixis IM aponta para um interesse crescente por ativos privados, criptomoedas e investimentos sustentáveis, o que significa que “os consultores deverão ampliar sua perspectiva para além das classes de ativos tradicionais se quiserem manter os ativos e atender à próxima geração de clientes”, observou Benton.

Em geral, os jovens millennials (entre 30 e 45 anos) são considerados os menos conservadores.

De acordo com a pesquisa da Natixis, 75% afirmam querer ter a oportunidade de superar o desempenho do mercado.

Os millennials demonstram globalmente maior interesse em ativos privados (55%). Além disso, 46% já investem em criptomoedas.

“No que diz respeito aos ETFs de gestão ativa, os millennials já estão receptivos ao conceito, já que 62% afirmam que gostariam que os fundos mútuos de que gostam estivessem disponíveis na forma de ETFs”, explica a Natixis.

Por outro lado, os baby boomers (que terão entre 62 e 80 anos em 2026) são considerados os mais conservadores, com apenas 42% dispostos a assumir riscos para progredir.

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De acordo com o relatório, esse grupo é o que demonstra menor interesse em investimentos em ativos privados (29%) e criptomoedas (16%) em todo o mundo. No entanto, 63% afirmam estar dispostos a investir a longo prazo o dinheiro destinado à herança. E 52% temem que os investimentos passivos não sejam suficientes para evitar perdas.

Enquanto isso, os adultos da Geração X (de 46 a 61 anos) estão em um ponto intermediário, com 63% dos investidores considerando a volatilidade como uma oportunidade para gerar riqueza.

55% também acreditam que investir em ativos privados é uma boa forma de gerenciar o risco em suas carteiras.

Além disso, 38% planejam investir mais ou começar a investir em criptomoedas.

Transferência de riqueza na América Latina

No contexto da região, predomina o interesse dos herdeiros por ativos privados, investimentos sustentáveis e criptomoedas como formas de administrar o patrimônio.

Assim, os ativos privados atraem 72% da geração Y e 64% da Geração X da região para investir.

Além disso, o investimento sustentável é predominante entre os jovens.

Na América Latina, 82% dos millennials e 73% da Geração X consideram os investimentos sustentáveis uma excelente alternativa para administrar os ativos que herdaram.

Especificamente, os millennials demonstram o maior interesse na região por investimentos sustentáveis, com 33% afirmando já ter investido, além de outros 49% que demonstram interesse, mas ainda não o fizeram.

O interesse também é grande entre os investidores da Geração X, com 30% já tendo investido e 43% demonstrando interesse.

Entre os baby boomers, o nível de interesse chega a 41%, enquanto o de investimento atual é de apenas 19%.

Os investidores da próxima geração tendem mais a acreditar que os investimentos sustentáveis terão um desempenho superior no longo prazo (65% millennials, 61% da Geração X e 53% dos baby boomers).

No que diz respeito às criptomoedas, a região lidera o uso, com 49% dos millennials já investindo, contra 42% da Geração X que também o faz, com expectativas de aumentar a exposição.

24% dos baby boomers latino-americanos entrevistados também investiram em criptomoedas, uma porcentagem superior à de seus pares de outras regiões.

É provável que os investimentos aumentem, já que 63% dos millennials e 55% da Geração X na América Latina planejavam investir mais ou começar a investir no próximo ano.

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Desafio para consultores financeiros

José Luis León, líder da Natixis IM na Colômbia e no Peru, afirmou que a diferença entre gerações representa um desafio fundamental para os consultores, uma vez que as diferenças entre os interesses e as experiências dos investidores provavelmente implicarão “restabelecer relações, reajustar a estratégia de investimento e repensar as capacidades de atendimento”.

Em última análise, “os consultores que buscam manter seus clientes devem se concentrar na segmentação”, comentou José Luis León.

“As conversas com os herdeiros da próxima geração terão de ir além dos planos patrimoniais e dos fundos familiares e se adaptar às suas preocupações, perspectivas e, em última análise, às suas preferências em termos de atendimento”, observou ele.

O relatório indica que os baby boomers (66%) são os mais propensos a já ter transferido, ou a planejar transferir, seus ativos para um novo consultor.

Por outro lado, 48% dos investidores da Geração X afirmam que manterão seus ativos onde estão. Os millennials (50%) são os que se mostram mais propensos a fazer isso.

Os homens também são ligeiramente mais propensos a manter o consultor (47%), enquanto 56% das mulheres afirmam que pretendem mudar.

Apenas 8% dos entrevistados afirmam que deixam um consultor financeiro porque ele não administrou bem o dinheiro de seus pais.

Por isso, 76% dos consultores entrevistados afirmam que a melhor estratégia para manter os ativos no contexto da transferência de patrimônio é construir relações de longo prazo com toda a família.

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IA ganha força entre consultores financeiros

Diante do avanço global da IA, 57% dos millennials e 49% da Geração X afirmam que é mais provável que utilizem aconselhamento automatizado.

De fato, 56% dos millennials acreditam que a consultoria baseada em IA impulsionará significativamente os retornos.

Por outro lado, apenas 34% dos baby boomers demonstram interesse em consultoria automatizada.

“Quando os investidores da próxima geração adotam a IA e a consultoria digital, eles não depositam o mesmo nível de confiança nas máquinas que depositam nos profissionais de investimento de verdade”, explica a Natixis.

Os millennials (90%), a Geração X (91%) e os baby boomers (94%) continuam confiando mais em seus consultores financeiros na hora de tomar decisões.

Os investidores concordam que os aspectos mais importantes de sua relação com os consultores são: receber orientação em planejamento financeiro (47%); ajuda para compreender o investimento (39%); e que eles compreendam suas situações específicas (33%).

De acordo com a metodologia, os resultados relativos aos investidores individuais foram extraídos da Pesquisa Global de Investidores Pessoa Física da Natixis Investment Managers, realizada pela CoreData Research em fevereiro e março de 2025 com 7.050 investidores em 21 países.

Os resultados relativos aos consultores foram extraídos da Pesquisa Global de Consultores Financeiros da Natixis Investment Managers, realizada pela CoreData Research entre junho e agosto de 2024 com 2.700 consultores em 20 países.

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