Bloomberg Línea — Nove em cada dez consumidores da América Latina e do Caribe já se identificam como usuários de pagamentos digitais. É o que aponta pesquisa encomendada pela Mastercard e divulgada nesta terça-feira (21).
Os dados revelam, no entanto, que há uma demanda represada pela digitalização, que esbarra no desafio de melhorar o acesso dos consumidores para as opções de pagamento digitais.
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
O estudo, feito pela consultoria independente Many Minds Group com 3.558 adultos em dez países da América Latina e Caribe em março de 2026, mostra que, apesar do avanço expressivo, o dinheiro físico persiste como alternativa em contextos nos quais a aceitação digital ainda é precária.
Quase metade dos entrevistados (47%) usou cédulas nos últimos seis meses, e 36% ainda recorrem a elas dentro de ônibus. Entre vendedores ambulantes, a dependência do dinheiro em espécie chega a 32%.
“A inclusão já não se trata apenas de incorporar as pessoas no sistema financeiro, mas sim em garantir que o sistema funcione para elas em sua vida diária”, afirmou, em nota, Andrea Scerch, presidente da Mastercard para América Latina e Caribe.
Leia mais: Pix pelo WhatsApp: Bancos transformam plataforma em canal de pagamento com ajuda de IA
A pesquisa abrangeu os mercados de Argentina, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Guatemala, Jamaica, México, Panamá, Peru e Porto Rico.
Vale lembrar que, no Brasil, a digitalização está bem mais avançada devido à adoção massificada do Pix. O sistema de pagamentos instantâneo, criado pelo Banco Central em novembro de 2020, já superou o uso de dinheiro em espécie em market share desde o primeiro trimestre de 2021.
Em março deste ano, o total de usuários que já tinham realizado Pix, segundo dados do BC, somava 81% da população brasileira.
Apetite em ascensão
No restante da região, a pesquisa da Mastercard aponta uma demanda crescente por pagamentos digitais. Oito em cada dez consumidores apontam segurança e praticidade como razões para preferir o digital, e 87% querem que mais estabelecimentos e pessoas passem a aceitar esse tipo de pagamento.
Cerca de 59% relatam que, ao menos uma vez ao mês, precisam sacar dinheiro quando gostariam de usar o celular ou o cartão.
Os consumidores que optam pelo pagamento digital preferem o cartão de débito: seis em cada dez utilizam essa opção para transações diárias – mais do que carteiras digitais (42%) e transferências (39%).
As categorias em que cartão de débito mais aparece entre as preferências são supermercados (34%), restaurantes e cafeterias (33%), contas de celular (27%) e transporte por aplicativo (26%).
A pesquisa reforça que a expansão dos pagamentos digitais depende tanto de infraestrutura quanto de percepção de segurança.
Entre os usuários digitais, 95% consideram a proteção um fator relevante na hora de escolher como pagar, e 94% citam a confiabilidade do sistema.
Já entre os consumidores ainda resistentes ao digital, 43% afirmam que melhorias em segurança os fariam mudar de postura, seguidos por proteção mais clara em caso de problemas (38%) e atendimento ao cliente mais eficiente (36%).
Entre os não-usuários, 68% deles afirma ser “algo ou muito provável” que adote pagamentos digitais no futuro. A janela de conversão existe — o que falta é construir a confiança e a infraestrutura que a torne real.
Leia mais
Pagamento com agentes de IA: Mastercard terá serviço no Brasil no começo de 2026
BRB fecha acordo com a gestora Quadra para vender R$ 15 bi em ativos do Banco Master