Do Brasil à Europa: como o mundo reagiu ao novo tarifaço de Trump após veto da Justiça

Depois que a Suprema Corte dos EUA invalidou as tarifas do presidente, ele anunciou novos impostos globais de importação. Países avaliam impactos, renegociam acordos e adotam posições que vão da cautela à retaliação

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Bloomberg — Confira o que os governos de todo o mundo estão dizendo após a Suprema Corte dos EUA invalidar as amplas tarifas emergenciais do presidente Donald Trump e sua medida subsequente de impor uma tarifa global de 10%, ampliada no sábado (21), sob um estatuto diferente. Ontem,

Brasil

O vice-presidente Geraldo Alckmin disse a jornalistas na sexta-feira (20) que a nova tarifa de 10% de Trump não afetará a competitividade do Brasil no comércio. “Abriu uma avenida ainda mais ampla para um comércio exterior mais robusto”, afirmou.

União Europeia

Parlamentares europeus realizarão uma reunião de emergência na segunda-feira (23) para reavaliar o acordo comercial do bloco com os EUA, que eliminaria tarifas sobre a maioria dos produtos americanos e fixaria uma alíquota de 15% sobre produtos europeus.

França

O presidente Emmanuel Macron disse que a França quer continuar exportando seus produtos dos setores agrícola, de luxo, moda, cosméticos e aeronáutica “com as regras mais justas possíveis”, acrescentando que o país vai “se adaptar de acordo”. “O que queremos é reciprocidade e não estarmos sujeitos a decisões unilaterais”, disse. O ministro de Comércio Nicolas Forissier afirmou que Bruxelas tem ferramentas para retaliar os EUA, incluindo o chamado “bazooka comercial”, o Instrumento Anticoerção.

Alemanha

O vice-chanceler e ministro das Finanças Lars Klingbeil disse que os europeus precisam manter sua posição unida e se tornar tão fortes “que ninguém possa nos chantagear”. “A incerteza continua alta”, afirmou, apontando para as tarifas setoriais sobre automóveis e aço, que não foram afetadas pela decisão.

Camboja

O vice-primeiro-ministro Sun Chanthol disse que o país “está avançando com a ratificação do acordo de comércio recíproco assinado com os EUA.” “O acordo não envolve apenas uma alíquota tarifária. Cobre outros temas que acordamos com os EUA e honraremos nossos compromissos”, disse.

Canadá

O ministro de Comércio com os EUA, Dominic LeBlanc, afirmou que a decisão reforçou a posição canadense de que as tarifas impostas sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional eram “injustificadas”.

Hong Kong

O secretário para Serviços Financeiros e Tesouro Christopher Hui afirmou que o impacto da nova tarifa americana de 10% sobre Hong Kong será “limitado”.

Índia

O Ministério do Comércio indiano informou que estuda as implicações da decisão. Líderes da oposição pediram ao governo do primeiro-ministro Narendra Modi que renegocie o acordo comercial com os EUA, enquanto o chefe da Federação das Organizações de Exportação Indiana disse que “agora temos um campo de jogo nivelado”.

Indonésia

A Indonésia, que finalizou seu pacto comercial com os EUA na quinta-feira, afirmou que a continuidade do acordo “depende das decisões de ambas as partes”, já que os dois lados ainda precisam de aprovações internas antes de o acordo entrar em vigor.

Malásia

O ministro de Investimento, Comércio e Indústria Johari Abdul Ghani reconheceu que os EUA “mantêm outros mecanismos legais para impor medidas comerciais”. “Também tomamos nota do anúncio recente do presidente Trump de uma tarifa temporária de 10%, e estamos estudando seu alcance e implicações”, disse.

México

O ministro da Economia Marcelo Ebrard disse que planeja viajar aos EUA na próxima semana para tratar de questões comerciais.

Coreia do Sul

A Coreia do Sul afirmou que a decisão da Suprema Corte não comprometeria seu acordo comercial mais amplo com Washington. A decisão anula a tarifa recíproca de 15% atualmente aplicada a produtos coreanos, mas as tarifas setoriais sobre automóveis e aço, impostas por leis separadas, permanecem em vigor.

Taiwan

O porta-voz do governo Michelle Lee disse que Taiwan espera impacto limitado da tarifa global de 10% imposta por Trump, com base em uma avaliação inicial.

Tailândia

O governo tailandês afirmará que continuará as negociações comerciais com os EUA. Um diretor do Ministério do Comércio afirmou que a renovada incerteza sobre as tarifas americanas pode provocar nova rodada de antecipação de compras, “estimulando importadores a formar estoques e apoiando as exportações tailandesas no início do ano”.

Filipinas

O secretário de Finanças Frederick Go disse que o país continuará dialogando com os EUA como “importante parceiro comercial e de investimentos”, acrescentando que a maioria das exportações filipinas para os EUA já era isenta de tarifas mesmo antes da decisão da Suprema Corte.

Reino Unido

Londres trabalha com Washington para entender como a derrubada das tarifas afetará o Reino Unido, mas espera que a “posição comercial privilegiada” do país junto aos EUA se mantenha, segundo porta-voz do governo.

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