De Carlos Slim a André Esteves: essas são as 10 pessoas mais ricas da América Latina

Ao longo de 2025, as 10 pessoas mais ricas da América Latina e do Caribe viram suas fortunas aumentarem como resultado de uma combinação de fatores estruturais e cíclicos que favoreceram os principais grupos empresariais da região

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Bloomberg Línea — Brasil, México, Colômbia e Chile voltam a concentrar as maiores fortunas da América Latina no início de 2026, de acordo com números atualizados do Bloomberg Billionaires Index.

Ao longo do ano, as 10 pessoas mais ricas da América Latina e do Caribe viram suas fortunas aumentarem e, consequentemente, subiram posições na lista global.

O aumento das grandes fortunas no início de 2026 na América Latina seria resultado de uma combinação de fatores estruturais e cíclicos que favoreceram os principais grupos empresariais da região.

“Esse comportamento se explica não apenas por fundamentos setoriais sólidos, mas também por um ambiente financeiro internacional que voltou a posicionar os mercados emergentes como um destino atraente para o capital global”, disse Paula Chaves, analista da corretora global HFM, à Bloomberg Línea.

Explica que o macrociclo das matérias-primas voltou a assumir um papel central, especialmente no que diz respeito aos metais, o que se evidencia na evolução das fortunas na América Latina em 2026.

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Empresas ligadas à mineração, energia e insumos básicos têm se beneficiado de preços mais sólidos e de uma demanda global que, embora moderada, continua sendo estrutural em setores estratégicos como transição energética, infraestrutura e eletrificação.

Segundo Chaves, empresas como o Grupo México, Industrias Peñoles e a holding do Grupo Luksic capitalizaram esse cenário graças à “sua escala, diversificação e exposição a commodities essenciais”.

Na sua opinião, outro fator relevante tem sido a resiliência dos modelos de negócios dominantes em setores defensivos e de alta geração de caixa.

“Empresas como América Móvil e AB InBev contam com posições de mercado consolidadas, capacidade de transferir custos e fluxos previsíveis, o que permitiu manter avaliações e patrimônios mesmo em ambientes de maior volatilidade e ajustes financeiros globais”, segundo Chaves.

Para Paula Chaves, o crescimento das fortunas ligadas ao setor financeiro e tecnológico responde a “uma tendência mais estrutural de longo prazo”.

Ele afirma que o Nubank e o BTG Pactual foram favorecidos pelo aprofundamento dos mercados de capitais na região, pela digitalização dos serviços financeiros e por uma maior participação de investidores internacionais.

“A maior parte dos fluxos de investimento estrangeiro para a América Latina concentrou-se no Brasil, impulsionados pela profundidade do seu mercado financeiro, pela liquidez dos seus ativos e pelos diferenciais de taxas particularmente atraentes no contexto atual”, afirmou Chaves.

No segmento de consumo, conglomerados como o Grupo Nutresa também apresentaram uma “recuperação relevante”, disse Chaves. “A recuperação da renda real em alguns países, juntamente com processos de reorganização corporativa, disciplina financeira e foco na eficiência operacional, contribuiu para fortalecer o valor patrimonial de seus principais acionistas”.

Este desempenho setorial foi ampliado por um elevado fluxo de investimento estrangeiro para mercados emergentes, com um peso especialmente acentuado no Brasil.

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Os 10 mais ricos da América Latina

O magnata mexicano Carlos Slim, proprietário da empresa de telecomunicações América Móvil, continua sendo a pessoa mais rica da América Latina e do Caribe e ocupa a 16ª posição no ranking mundial.

Slim tem um patrimônio estimado em US$ 116 bilhões, com um lucro anual de US$ 5,28 bilhões até 26 de janeiro, de acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg.

O empresário mexicano fundou seu conglomerado de telecomunicações a partir da privatização da Teléfonos de México (Telmex), no início da década de 1990.

Seu ativo mais valioso é uma participação majoritária na América Móvil, seguida por suas participações na holding Grupo Carso e na empresa de bancos e seguros Grupo Financiero Inbursa, de acordo com a Bloomberg.

Desde 2023, o Grupo Carso, um conglomerado com interesses em infraestrutura da família Slim, abriu o portfólio para ampliar sua carteira de ativos petrolíferos.

A segunda pessoa mais rica da região é Germán Larrea, também mexicano, que subiu para a 24ª posição no ranking mundial.

A fortuna de Larrea é de cerca de US$ 70,2 bilhões, após somar este ano o equivalente a US$ 10,1 bilhões.

Larrea acumulou sua fortuna através da participação de 60% que sua família detém no conglomerado mineiro Grupo México, do qual é presidente executivo.

O milionário também tem uma participação direta de menos de 1% na Southern Copper Corp. Além disso, Larrea controla o Grupo Cinemex, uma rede mexicana de cinemas de capital fechado.

A terceira pessoa mais rica da América Latina atualmente é a chilena Iris Fontbona e sua família (31ª posição no ranking mundial), com uma fortuna de US$ 55,8 bilhões, somando este ano cerca de US$ 5,86 bilhões.

Os milionários chilenos acumularam sua fortuna por meio do poderoso Grupo Luksic, que controla empresas nos setores financeiro, de bebidas, manufatura, energia, transporte e serviços portuários.

Em seguida, aparece o brasileiro Eduardo Saverin (66º lugar no mundo), um dos cofundadores do Facebook (atualmente Meta), com um patrimônio de US$ 36,5 bilhões.

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Saverin, que em 2022 possuía aproximadamente 2% da empresa Meta Platforms, acrescentou à sua fortuna este ano cerca de US$ 656 milhões, com corte em 26 de janeiro.

Eduardo Saverin também foi cofundador, em 2015, da B Capital Group, uma empresa de capital de risco.

O brasileiro Jorge Paulo Lemann (85º lugar no ranking mundial), cofundador da 3G Capital e do maior grupo cervejeiro do mundo, a AB InBev, ocupa a quinta posição na lista dos milionários da América Latina.

A Bloomberg estima que atualmente sua fortuna seja de cerca de US$ 28,5 bilhões, com um aumento de US$ 1,31 bilhão no ano.

A maior parte da fortuna de Lemann provém de uma participação de 9% na Anheuser-Busch InBev.

Os milionários que fecham o top 10

O colombiano Jaime Gilinski continuou aumentando sua fortuna na América Latina e já está entre os 100 mais ricos do mundo (91º lugar).

Gilinski, um dos empresários mais poderosos do país andino atualmente, tem uma fortuna de US$ 27,7 bilhões, que aumentou em US$ 2,17 bilhões no acumulado do ano.

O banqueiro colombiano rompeu o castelo do Grupo Empresarial Antioqueño (GEA), um bloco de empresas que durante 40 anos teve participações cruzadas.

Gilinski surpreendeu em 2021 com uma oferta pública de aquisição hostil sobre a Nutresa, uma das empresas do Sindicato Antioqueño.

Após anos de disputa com os empresários de Antioquia, Gilinski chegou a um acordo para entregar ações do Grupo Sura e do Grupo Argos em troca do controle majoritário do Grupo Nutresa.

Em março de 2025, Gilinski concluiu a aquisição de 100% da Nugil, o veículo que utilizou para suas Ofertas Públicas, e consolidou-se como proprietário de 84,5% da Nutresa.

Na sétima posição aparecem o colombiano Alejandro Santo Domingo e sua família (151º lugar), com uma fortuna de US$ 18,1 bilhões, o que significou um avanço de US$ 701 milhões.

O empresário preside o conselho de administração do Grupo Valorem, conglomerado familiar proprietário das lojas de hard discount D1.

Além disso, é proprietária de investimentos no setor de transportes, projetos imobiliários, serviços públicos e mídia e entretenimento.

Em seguida, aparece o também colombiano David Vélez (na posição 156), cofundador da fintech Nubank no Brasil, que possui uma fortuna de US$ 17,7 bilhões atualmente, após acumular US$ 1,35 bilhão no ano.

Nubank solicitou no ano passado uma licença bancária nos Estados Unidos. Se aprovada, o Nubank poderá oferecer contas de depósito, cartões de crédito, empréstimos e custódia de ativos digitais nos Estados Unidos, além de aprofundar seu relacionamento com clientes atuais e potenciais no país.

Em dezembro, Nu afirmou que pretende obter uma licença bancária no Brasil, diante dos impedimentos regulatórios que limitam o uso da palavra “banco” em marcas de empresas não bancárias.

A nona posição na América Latina é ocupada pelo mexicano Alejandro Baillères (175º lugar no ranking mundial), que preside o Grupo BAL, uma empresa de investimentos que atua nos setores de mineração, metais, comércio varejista e serviços financeiros.

Sua fortuna é estimada em US$ 16,5 bilhões, com um lucro anual de US$ 2,22 bilhões.

De acordo com a Bloomberg, seu ativo mais valioso é uma participação de 44% na Industrias Peñoles, a maior produtora mundial de prata refinada.

O top 10 é fechado pelo brasileiro André Esteves (222º lugar), presidente e acionista majoritário do Banco BTG Pactual, com uma fortuna de US$ 14,2 bilhões e um lucro no ano corrente de US$ 1,88 bilhão.

Esteves concentra grande parte de sua fortuna no Banco BTG Pactual, do qual possui aproximadamente 25%, o que o torna um dos principais acionistas do maior banco de investimentos da América Latina.