Bloomberg — Uma Batalha Após a Outra levou o prêmio de melhor filme no Oscar neste domingo (15), e garantiu uma vitória ao veterano cineasta Paul Thomas Anderson.
O filme da Warner Bros, sobre um revolucionário decadente que tenta resgatar a filha de seu antigo inimigo, era o favorito entre analistas e casas de apostas antes da cerimônia e terminou a noite com seis estatuetas.
Seu principal concorrente foi Sinners, que teve um recorde de 16 indicações e conquistou quatro prêmios.
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Ambos os favoritos pertencem ao estúdio da Warner Bros. Discovery e, com mais uma vitória de Weapons, a companhia somou 11 Oscars — um feito relevante enquanto enfrenta uma conturbada aquisição pela Paramount Skydance.
Uma Batalha Após a Outra traz atuações marcantes de atores como Leonardo DiCaprio, no papel de um anarquista aposentado que fuma maconha, e Sean Penn, que interpreta um oficial militar supremacista branco. Penn venceu o prêmio de melhor ator coadjuvante, embora não estivesse presente para receber a estatueta.
Entre os trabalhos anteriores de Anderson estão There Will Be Blood (2007) e Boogie Nights (1997).
Ele já havia sido indicado 11 vezes pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, mas nunca tinha vencido um Oscar.
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Desta vez, também levou os prêmios de melhor direção e melhor roteiro adaptado por Uma Batalha Após a Outra, que inclui cenas de soldados guardando centros de detenção de imigrantes.
“Escrevi este filme para meus filhos como um pedido de desculpas pela bagunça que deixamos neste mundo que estamos entregando a eles”, disse Anderson ao receber o prêmio de roteiro.
“Mas também com o incentivo de que eles sejam a geração que trará mais bom senso e decência.”
A cerimônia anual, realizada no Dolby Theatre, em Los Angeles, é a grande vitrine de Hollywood para celebrar seus filmes, estrelas e cineastas diante de uma ampla audiência televisiva. O evento ocorre em meio a fortes turbulências na indústria.
A Warner Bros. está sendo adquirida pela Paramount por US$ 110 bilhões após uma longa disputa, em um negócio que pode levar a mais cortes de empregos em um setor já pressionado pela migração de produções para cidades mais baratas, pela ascensão das redes sociais, pela queda de público nos cinemas e pelo temor de que a inteligência artificial substitua parte da produção tradicional.
As ações da Warner Bros. subiam menos de 1% na manhã de segunda-feira em Nova York.
Ainda assim, o clima na premiação foi majoritariamente positivo. Sinners também teve destaque: o diretor Ryan Coogler ganhou o prêmio de melhor roteiro original por sua abordagem singular do gênero de terror, com números musicais e uma trama sobre racismo no Mississippi dos anos 1930. Michael B. Jordan venceu o Oscar de melhor ator por interpretar irmãos gêmeos no filme.
Coogler ganhou reconhecimento inicialmente com o independente Fruitvale Station (2013) e também dirigiu produções de grande orçamento como Creed e Black Panther.
Autumn Durald Arkapaw venceu o prêmio de melhor fotografia por Sinners, tornando-se a primeira mulher a conquistar a categoria. O filme também ganhou o prêmio de melhor trilha sonora.
Jessie Buckley venceu o Oscar de melhor atriz por interpretar a esposa de William Shakespeare no filme Hamnet, da Focus Features.
KPop Demon Hunters, da Netflix Inc., ganhou o prêmio de melhor animação. O musical sobre um grupo feminino de cantoras que enfrenta inimigos sobrenaturais tornou-se o filme mais assistido da história do serviço de streaming.
O sucesso levou a empresa a lançá-lo posteriormente nos cinemas. A canção Golden, do filme, venceu como melhor música original.
Amy Madigan conquistou o prêmio de melhor atriz coadjuvante por seu papel como a perturbadora tia Gladys no terror Weapons, da Warner Bros. Foi o primeiro Oscar da atriz, que já havia sido indicada por Twice in a Lifetime (1985).
A cerimônia começou com um vídeo estrelado pelo apresentador Conan O’Brien, vestido como a personagem de Madigan e sendo perseguido por cenas de vários filmes indicados.
Em seu monólogo de abertura, O’Brien brincou sobre inteligência artificial. “Estou honrado por ser o último apresentador humano do Oscar”, disse. Também fez piada com a Netflix: “O CEO Ted Sarandos está aqui — e é a primeira vez dele em um cinema”.
O segmento “In Memoriam”, dedicado a profissionais do cinema falecidos no último ano, incluiu homenagens aos atores e diretores Rob Reiner e Robert Redford.
Devido aos conflitos em curso no Oriente Médio, a cerimônia contou com o maior esquema de segurança da história do Oscar, incluindo um perímetro policial de cerca de 1,6 km ao redor do teatro.
Houve poucos manifestantes do lado de fora, principalmente protestando contra a guerra em Gaza.
A política também apareceu na premiação. O ator Javier Bardem disse “não à guerra e Palestina livre” antes de entregar o prêmio de melhor filme internacional para o norueguês Sentimental Value.
O apresentador Jimmy Kimmel, ao anunciar os vencedores da categoria de documentário, comentou: “Há alguns países cujos líderes não apoiam a liberdade de expressão. Não posso dizer quais. Vamos deixar apenas em Coreia do Norte e CBS”.
A cerimônia também trouxe mudanças. A Academia passou a exigir que seus membros assistam a todos os filmes indicados antes de votar em uma categoria.
Um novo prêmio, de melhor direção de elenco, foi entregue pela primeira vez. Cassandra Kulukundis venceu por Uma Batalha Após a Outra.
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