Bloomberg — A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro sinalizou que pretende permanecer à margem da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro após o que descreveu como uma ligação telefônica desrespeitosa com seu enteado, expondo novas tensões dentro da família, que está no centro da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em um vídeo de quase 30 minutos publicado nas redes sociais, Michelle disse que a discussão surgiu de divergências sobre a estrutura de apoio do Partido Liberal no Ceará. Ela descreveu a conversa como uma “apunhalada” e afirmou que Flávio disse a ela para se manter afastada das decisões do partido por falta de experiência política.
Flávio “disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, disse ela, no vídeo. “Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha — e assim permaneço”.
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A campanha de Flávio Bolsonaro não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Michelle Bolsonaro também criticou o partido de Bolsonaro e alguns de seus membros. Embora ela e Flávio tenham tido alguns desentendimentos públicos, seu apoio formal ao filho de Bolsonaro era esperado, dada a sua popularidade entre alguns grupos de eleitores, como mulheres e evangélicos.
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O conflito se soma a uma crescente lista de desavenças familiares. Mensagens tornadas públicas pelo Supremo Tribunal Federal no ano passado, como parte de uma investigação sobre os esforços da família para obter sanções americanas contra o Brasil, mostraram o ex-presidente chamando seu outro filho, Eduardo, de imaturo, expondo as divisões dentro da família.
A ex-primeira-dama preside o PL Mulher, a ala feminina do partido, um segmento em que Flávio tem tido dificuldades para conquistar apoio. Também espera-se que ela se candidate ao Senado Federal.
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Michelle era vista anteriormente por alguns aliados como uma potencial candidata à presidência. Essa especulação se dissipou em dezembro, quando Flávio disse que o ex-presidente o apoiava como candidato ao Planalto.
“Mesmo depois de todas essas coisas, eu abençoei a escolha do Jair e a pré-candidatura do Flávio — nas mesmas redes sociais nas quais ele e os irmãos me atacaram, e onde também foi publicada a entrevista dele me chamando de desrespeitosa e autoritária”, acrescentou ela no vídeo. Quanto ao seu futuro político, ela disse que está “nas mãos de Deus”.
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