Bloomberg — Autoridades brasileiras lançaram uma nova ofensiva contra o crime organizado, com autoridades federais e do estado de São Paulo intensificando esforços para desmontar redes financeiras que sustentam grupos criminosos infiltrados nos setores de combustíveis e de pagamentos.
A nova fase da Operação Carbono Oculto, batizada de Fluxo Oculto, tem como alvo um suposto esquema de adulteração de combustíveis, evasão fiscal e lavagem de dinheiro, informaram os procuradores na quinta-feira. A investigação identificou outras seis fintechs que atuariam como bancos paralelos da organização criminosa, movimentando mais de R$ 26 bilhões nos últimos quatro anos, segundo os investigadores.
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As autoridades cumpriram 42 mandados de busca e apreensão em diversas regiões do estado de São Paulo, com participação de mais de 170 policiais militares e 38 auditores fiscais estaduais. Mandados também foram executados em outros estados brasileiros.
A operação é a mais recente de uma série de investigações iniciadas no ano passado contra grupos do crime organizado anteriormente associados apenas ao tráfico de drogas. As apurações tiveram como alvo fintechs e a Reag, gestora de recursos acusada de manter supostos vínculos ilegais com criminosos. Advogados da Reag afirmaram anteriormente que a empresa coopera com as investigações e nega as acusações.
“Esperamos avançar no combate ao crime organizado, da maneira inteligente, fazendo asfixia financeira e identificando as questões que abastecem essa engrenagem das organizações criminosas”, disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a jornalistas na manhã desta quinta (28), em Brasília.
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Segundo os investigadores, a apuração revelou uma infiltração mais profunda das organizações criminosas na economia formal brasileira, especialmente por meio de distribuidoras de combustíveis, postos de gasolina e empresas financeiras, supostamente usadas para processar transações internas, transferir recursos entre veículos de investimento e financiar despesas pessoais de operadores-chave.
Pelo menos três das fintechs tiveram atividades suspeitas identificadas em decorrência da investigação da Operação Carbono Oculto, de acordo com a Receita Federal. Grande parte das operações era incomum para fintechs, como depósitos feitos em dinheiro vivo. Uma delas recebeu mais de R$ 1 bilhão em depósitos em espécie entre 2022 e 2024, informou o órgão.
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A investigação também se concentra no suposto desvio do insumo químico nafta, usado para adulterar combustíveis. As autoridades afirmam que empresas de fachada foram utilizadas para simular vendas de solventes dentro de uma sofisticada estrutura de lavagem de dinheiro.
“Com esta fase da operação, as instituições dão mais um passo aprofundado na atuação integrada e na compreensão do ecossistema criminoso que alimenta as organizações criminosas, especialmente nos mecanismos de lavagem de capitais, que garantem o poderio econômico que as mantém em atividade e fomentam o seu crescimento”, disseram os procuradores em comunicado.
Uma pessoa com conhecimento da investigação afirmou à Bloomberg News que as fintechs envolvidas são:
- Ceopag Instituição de Pagamento e outras empresas do grupo
- America Payment SA
- Sispay Instituição de Pagamento e outras empresas do grupo
- Smart Solutions Instituição de Pagamento e outras empresas do grupo
- YAW Instituição de Pagamento
- Ello Gestora de Recursos Ltda.
Representantes das fintechs não foram localizados ou não responderam aos pedidos de comentário
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