Lula rejeita decisão dos EUA que classifica facções criminosas como terroristas

Presidente diz que brasileiros se recusam ‘a serem tratados como crianças’ e volta a falar em ataque à soberania do país

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Bloomberg — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente a decisão dos Estados Unidos de classificar os dois grandes grupos criminosos brasileiros como organizações terroristas, chamando-a de uma ameaça à soberania do Brasil que não ajudará em sua luta contra o tráfico de drogas.

“Nos recusamos a ser tratados como crianças, como se isso fosse algum tipo de república de bananas”, disse Lula num evento no estado de Sergipe na sexta-feira (29).

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O secretário de Estado Marco Rubio anunciou na quinta-feira (28) que os Estados Unidos designariam o Primeiro Comando da Capital, ou PCC, e o Comando Vermelho, ou CV, como organizações terroristas estrangeiras, medida que já havia tomado contra outros grupos criminosos pela América Latina.

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A decisão veio apenas dias depois que o senador Flávio Bolsonaro, principal desafiante de Lula nas eleições de outubro e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, visitou Donald Trump na Casa Branca, e colocou o petista em posição difícil antes das eleições.

Enquanto o crime sendo uma das principais preocupações para os brasileiros, Flávio Bolsonaro pressionou pela designação como parte de seu argumento por políticas de segurança pública mais rígidas.

Lula, que se beneficiou politicamente ao se posicionar como defensor da soberania do Brasil durante uma disputa anterior com Trump, agora tenta equilibrar o que seu governo vê como potencial interferência na eleição com esforços para convencer eleitores de que é suficientemente duro com o crime.

Em comunicado enviado enquanto Lula falava, o governo brasileiro traçou uma distinção entre facções criminosas como PCC e CV e grupos terroristas ideologicamente motivados, dizendo que era incorreto rotulá-los dessa forma.

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“O terror imposto por essas organizações às comunidades busca lucrar com o crime, especialmente o tráfico de drogas e armas, e não deve ser confundido com o tipo de ação motivada por razões ideológicas, políticas e religiosas encontrada no terrorismo internacional”, disse o governo, ao mesmo tempo em que destacou suas próprias ações contra o crime organizado.

O governo Lula, enquanto isso, acusou a família Bolsonaro de mais uma vez buscar interferência estrangeira em assuntos brasileiros.

Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, anteriormente fez lobby junto ao governo Trump para colocar tarifas sobre o Brasil numa tentativa malsucedida de impedir a condenação de Jair Bolsonaro por acusações de tentativa de golpe.

“É deplorável que mais uma vez membros da família Bolsonaro viajem aos EUA para advogar por intervenção estrangeira no Brasil, como fizeram durante os aumentos de tarifas que causaram tanto dano ao nosso país”, disse o governo no comunicado.

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