Bloomberg — A inflação ao consumidor do Brasil desacelerou em dezembro na taxa anual e fechou 2025 dentro da margem de tolerância da meta do Banco Central, o que pode elevar a probabilidade de cortes nas taxas de juros nos próximos meses.
Dados oficiais divulgados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) pelo IBGE nesta sexta-feira (98) mostraram que os preços ao consumidor subiram 4,26% em relação ao ano anterior, em linha com a estimativa mediana dos analistas consultados pela Bloomberg. É a menor taxa anual desde agosto de 2024.
Leia mais: IPCA-15 reforça expectativas de corte de juros apenas em março, dizem economistas
A inflação passou a convergir em direção à meta com a faixa de tolerância principalmente a partir de outubro.
No acumulado em 12 meses até novembro, o IPCA estava em 4,46%. E chegou a atingir o patamar de 5,53% em abril, na taxa mais alta do ano.
No mês de dezembro, a inflação atingiu 0,33%, acima do 0,18% de novembro.
Os formuladores de política monetária estão se abstendo de sinalizar quando começarão a reduzir a Selic, taxa de juros de referência, que há meses se encontra no patamar mais alto de quase duas décadas, em 15% ao ano.
No entanto, com a desaceleração da economia e a expectativa de que a inflação esfrie ainda mais, investidores estão cada vez mais otimistas com a possibilidade de que os custos dos empréstimos estejam prestes a cair.
O Banco Central tem como meta uma inflação de 3% em 12 meses, com uma faixa de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Leia mais: Copom mantém juro em 15% ao ano e diz que cenário exige cautela
No entanto um mercado de trabalho aquecido e a expectativa do mercado de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumentará os gastos públicos neste ano em que buscará a reeleição complicam as perspectivas para os preços.
A inflação de serviços instável e a desvalorização da moeda brasileira, o real, também estão atrapalham os esforços dos formuladores de política monetária para manter os aumentos de preços sob controle.
Em conjunto, o cenário faz com que os economistas debatam se o Banco Central iniciará ou não a flexibilização monetária em sua próxima reunião sobre as taxas de juros no final deste mês.
O que diz a Bloomberg Economics
“A inflação brasileira continuou sua lenta e constante melhora em dezembro, mas os robustos aumentos nos preços dos serviços devem manter os formuladores de políticas [monetárias] cautelosos enquanto se preparam para flexibilizá-las. Acreditamos que um corte nas taxas no primeiro trimestre continua sendo provável. Após os dados do IPCA, uma mudança em janeiro exigiria um fortalecimento adicional da moeda e evidências mais firmes de que o crescimento enfraqueceu.”
- Adriana Dupita, economista para o Brasil.
A aceleração da inflação de serviços foi ressaltada pela economista-chefe da B. Side Investimentos, Helena Veronese.
“Há um ponto de atenção central que tende a manter o Banco Central cauteloso em sua comunicação: a inflação de serviços, único grupo a registrar alta no acumulado em 12 meses”, escreveu Veronese em comunicado.
“Reflexo de um mercado de trabalho ainda aquecido, os preços de serviços aceleraram de 0,60% para 0,72% em dezembro, dando continuidade à trajetória de alta observada nos últimos meses. Parte relevante dessa pressão decorre justamente dos segmentos mais intensivos em mão de obra”, escreveu,
Os aumentos nos preços de dezembro foram liderados por um reajuste de 0,74% nos custos de transporte, causado principalmente por um salto nas tarifas aéreas, além de alimentos e bebidas mais caros. Por outro lado, os custos de moradia caíram 0,33% devido aos preços mais baratos de serviços públicos.
No ano fechado de 2025, o principal fator de peso para a inflação geral anual veio dos preços de habitação, com variação de 6,79% - e responsável por 1,02 ponto percentual do total de 4,26%.
Nessa categoria, os preços de energia elétrica se destacaram negativamente - do ponto de vista do bolso do brasileiro -, com reajuste médio de 12,31% em 2025.
De modo geral, os dados confirmaram que a inflação está em tendência de queda e podem permitir que o Banco Central comece a fazer cortes, de acordo com Kimberley Sperrfechter, economista de mercados emergentes da Capital Economics.
“O panorama geral é que, uma vez iniciado o ciclo de flexibilização, é provável que as taxas de juros caiam mais do que a maioria espera para este ano”, escreveu Sperrfechter em uma nota de pesquisa.
-- Com a colaboração de Giovanna Serafim.
-- Com informações da Bloomberg Línea.
Veja mais em bloomberg.com
©2026 Bloomberg L.P.