Haddad tenta emplacar Guilherme Mello na diretoria do Banco Central, dizem fontes

Ministro da Fazenda montou articulação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para nomear um aliado de dentro de sua pasta para uma das duas vagas abertas na diretoria do BC, disseram à Bloomberg News fontes com acesso ao assunto

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Bloomberg — O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, montou uma articulação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para nomear um aliado de dentro de seu ministério para uma vaga na diretoria do Banco Central, de acordo com duas pessoas com conhecimento da situação que falaram com a Bloomberg News.

Haddad apresentou Guilherme Mello, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, como candidato a uma das duas vagas na diretoria, disseram as pessoas, solicitando anonimato para discutir assuntos internos.

Economista de esquerda, Mello se juntou a Haddad na defesa de reduções nas taxas de juros que atualmente estão em 15% ao ano, o nível mais alto em quase duas décadas.

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Haddad não quis comentar. Nem Mello nem o gabinete de Lula responderam imediatamente aos pedidos de comentários enviados fora do horário comercial na noite de sexta-feira (30).

O colegiado de nove membros, liderado por Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, teve duas vagas abertas desde o final de 2025, quando os mandatos dos ex-diretores Diogo Guillen e Renato Gomes terminaram.

No passado, Lula seguiu o conselho de seu ministro sobre as nomeações para o banco central: Galípolo, que ele escolheu para fazer parte da diretoria em 2023 e mais tarde nomeou para o comando do Banco Central, era anteriormente o vice de Haddad no Ministério da Fazenda.

Mas ainda não está claro se o presidente vai concordar com a sugestão de Haddad desta vez, disseram as pessoas.

Os formuladores de política monetária votaram na quarta-feira (28) para manter a Selic estável pela quinta reunião consecutiva, ao mesmo tempo em que sinalizaram que esperam começar a cortar as taxas em sua próxima reunião, em março.

Devido às diretorias que estão vagas, apenas sete membros participaram da decisão sobre juros desta semana.

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Mello, 42 anos, faz parte de um grupo dos chamados economistas estruturalistas - intelectuais de esquerda que defendem medidas de intervenção do Estado e o investimento público para impulsionar a produção e corrigir alegados desequilíbrios de oferta e demanda que possam causar inflação, em vez de confiar apenas na política monetária para regular a oferta de moeda.

Ele atua em sua função atual desde que Lula voltou à presidência da República em 2023. Mello assessorou anteriormente a campanha presidencial de Haddad em 2018 e fez parte de uma equipe que desenvolveu o programa econômico de Lula durante a eleição de 2022.

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