Bloomberg — O Brasil começará imediatamente a reduzir os subsídios emergenciais aos combustíveis implementados após o início da guerra no Oriente Médio, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca demonstrar maior disciplina fiscal, segundo uma pessoa com conhecimento do assunto ouvida pela Bloomberg News.
O governo iniciará o processo com a redução dos subsídios ao diesel, afirmou a fonte, que pediu anonimato para tratar de informações ainda não públicas.
A medida reverterá parcialmente um pacote temporário de cortes de impostos e subsídios criado para proteger os consumidores do choque nos preços do petróleo provocado pelo conflito com o Irã.
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O déficit nominal do setor público brasileiro subiu para 9,6% do Produto Interno Bruto (PIB), anunciou o Banco Central nesta terça-feira (30), enquanto o governo ampliou os estímulos em uma tentativa de fortalecer a campanha de reeleição de Lula.
Os bilhões de reais em gastos adicionais alimentam a preocupação dos investidores com uma deterioração mais ampla das contas fiscais.
Ao mesmo tempo, também dificultam o esforço do Banco Central para trazer a inflação de volta à meta de 3% por meio de uma política monetária extremamente restritiva.
As contas públicas são um problema crônico no Brasil, que perdeu o grau de investimento em 2015, principalmente em razão do aumento dos déficits fiscais e da dívida pública. Desde então, os governos que se sucederam enfrentam dificuldades para recompor as contas públicas e recuperar a credibilidade da gestão orçamentária.
A medida marca o início da retirada de um dos maiores pacotes emergenciais da administração Lula. No início deste ano, o governo anunciou que gastaria até R$ 2,9 bilhões por mês para subsidiar gasolina e diesel. O conjunto mais amplo de desonerações e incentivos adotado desde o início dos combates no Oriente Médio soma cerca de R$ 13 bilhões.
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As medidas emergenciais incluíram a eliminação de tributos sobre biodiesel e combustível de aviação, subsídios às importações de gás de cozinha, apoio à produção doméstica de diesel e autorização para que companhias aéreas acessassem linhas de crédito de um fundo nacional.
A administração também autorizou a Petrobras a elevar os preços dos combustíveis, depois que a estatal adiou reajustes para amenizar o impacto das oscilações dos preços internacionais.
Na semana passada, o Banco Central elevou sua projeção de crescimento da economia brasileira em 2026 para 2%, citando fatores como o fortalecimento da demanda, sustentado por estímulos fiscais e de crédito.
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Os formuladores de política monetária também alertaram que esses estímulos podem pressionar a inflação, que permanece acima de 3% desde o período mais agudo da pandemia de Covid-19, em 2020.
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