Flávio Bolsonaro nega irregularidades de seu escritório com empresa ligada a Vorcaro

Reportagens do Metrópoles, confirmadas por O Globo e Folha de S.Paulo, apontam pagamentos e notas fiscais emitidas para empresas citadas no caso Banco Master. O senador afirma que não houve recebimento de recursos, diz que as notas fiscais foram canceladas e nega qualquer irregularidade

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Bloomberg — O candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, negou novas ligações com um grande escândalo bancário, após a mídia local ter noticiado que seu escritório de advocacia recebeu dinheiro de um consultor vinculado ao Banco Master .

O veículo de notícias Metropoles informou nesta quarta-feira que o escritório de advocacia do qual Bolsonaro é sócio recebeu R$ 500 mil (US$ 98.925) de uma empresa de contabilidade chamada Contabil Correa, citando uma nota fiscal de abril de 2025. A empresa de contabilidade é dirigida por um empresário responsável pela Copenhagen, uma consultoria que recebeu quase R$ 60 milhões do Banco Master, informou o Metropoles, citando documentos de uma comissão de inquérito do Congresso.

Posteriormente, O Globo e a Folha de S.Paulo informaram que haviam confirmado as descobertas de forma independente. O escritório de advocacia de Bolsonaro também emitiu outras duas faturas, totalizando 1 milhão de reais, para a Copenhagen em abril de 2025, mas ambas foram canceladas, informaram os jornais.

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As alegações envolvem ainda mais o principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva às vésperas das eleições de outubro.

Em maio, gravações de áudio vazadas para a imprensa mostraram Bolsonaro pedindo a Daniel Vorcaro, então diretor executivo do Banco Master, milhões de dólares para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos de prisão por planejar um golpe de Estado.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, Bolsonaro reconheceu ter prestado serviços à Contabil Correa, mas afirmou que “tudo estava em ordem” no que descreveu como “uma relação inteiramente legal e privada”.

Ele negou ter recebido dinheiro, citando as notas fiscais canceladas, e acusou o Metropoles de cometer um crime ao publicar a reportagem. Ele sugeriu que autoridades governamentais teriam vazado as notas fiscais em uma tentativa de prejudicar sua candidatura.

“As notas fiscais emitidas pelo meu escritório de advocacia foram canceladas. Portanto, não houve troca de dinheiro e nenhum serviço foi prestado”, afirmou Bolsonaro. “Não houve nada de errado. Ninguém no escritório recebeu nada. Não estou sendo investigado por nada.”

A Contabil Correa afirmou em comunicado que havia contratado o escritório de advocacia de Bolsonaro em fevereiro de 2025 “para prestar serviços de assessoria jurídica a um conglomerado empresarial que não tem qualquer afiliação com o Banco Master”, acrescentando que nunca manteve qualquer vínculo com a instituição financeira.

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A saga do Banco Master vem agitando a política brasileira e as instituições governamentais há meses, atraindo o escrutínio sobre autoridades públicas, desde o Supremo Tribunal Federal até o Congresso e o Banco Central. As autoridades descreveram o caso como o maior escândalo de fraude bancária da história do Brasil.

Bolsonaro também enfrenta um escrutínio crescente em outras frentes. Ele tem enfrentado dificuldades para superar uma disputa familiar com sua madrasta, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, depois que ela o criticou publicamente em um vídeo.

Na terça-feira, sua campanha também negou que ele tivesse questionado a integridade do sistema de votação eletrônica do Brasil durante um evento com a presença de diplomatas estrangeiros.

Durante o evento, Bolsonaro citou uma reclamação dos EUA sobre urnas eletrônicas na Venezuela e afirmou que algumas máquinas utilizadas no Brasil também eram da mesma empresa responsável por elas, segundo a mídia local.

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O episódio gerou comparações com a divulgação, por Jair Bolsonaro, de alegações falsas sobre o sistema eleitoral brasileiro a diplomatas estrangeiros antes das eleições de 2022. Em comunicado divulgado na terça-feira, a campanha afirmou que Flávio Bolsonaro tem “total confiança no sistema eleitoral brasileiro”.

Bolsonaro prometeu seguir em frente com a campanha.

“Não vou desistir. De forma alguma”, disse ele. “Sempre que sou alvo de um ato de covardia como esse, fico ainda mais motivado e determinado a transformar este país.”

--Com a colaboração de Daniel Carvalho.

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