Bloomberg — A família conservadora mais proeminente do Brasil está novamente em meio a um conflito, o que impõe novos riscos para a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro justo quando parecia que ele teria uma oportunidade para atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro desencadeou as mais recentes tensões entre membros da família do ex-presidente Jair Bolsonaro ao divulgar, na quarta-feira (24), um vídeo de quase 30 minutos no qual ela acusa Flávio de desrespeitá-la durante uma ligação telefônica.
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O vídeo, produzido de forma dramática e repleto de cortes para imagens de arquivo, foi publicado enquanto os brasileiros se preparavam para assistir à partida da seleção contra a Escócia pela Copa do Mundo.
Nele, foram expostas disputas políticas sobre uma eleição para um cargo menor nas eleições de outubro e, ainda, Michelle sugere que não apoiaria formalmente Flávio, um possível golpe para um candidato que precisa consolidar o apoio entre as mulheres e os eleitores evangélicos, entre os quais ela possui influência particular.
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A gravação “caiu como uma bomba”, segundo a deputada de direita Bia Kicis, aliada próxima dos Bolsonaros, em entrevista à CNN Brasil na quinta-feira (25). “Que a gente não fique lavando roupa suja na internet.”
Embora Kicis tenha minimizado o risco de repercussões políticas, os Bolsonaros entraram rapidamente em modo de controle de danos.
Em um comunicado divulgado na quarta-feira e em uma mensagem de vídeo subsequente na quinta-feira, Flávio afirmou que jamais desrespeitou mulheres e que não tinha a intenção de ofender sua madrasta.
Enquanto isso, Michelle pediu à família que trabalhasse em conjunto para derrotar Lula em uma postagem nas redes sociais na quinta-feira.
Nem a campanha de Flávio nem um porta-voz de Michelle responderam aos pedidos de comentários.
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Uma pessoa próxima a Flávio, que pediu anonimato para falar abertamente, minimizou a ideia de que a saga possa prejudicar seus esforços para angariar apoio entre as eleitoras, afirmando que ele está mirando nas eleitoras de centro em vez de conservadores mais leais a Michelle.
As tensões dentro do clã Bolsonaro não são novidade e regularmente explodem de forma pública em meio à condenação do ex-presidente por acusações de golpe de Estado e ao drama da sucessão que se seguiu.
Mas a última erupção ocorreu em um momento particularmente inoportuno. Na semana passada, autoridades federais divulgaram uma investigação que conecta o senador Jaques Wagner, um aliado de longa data de Lula, com o Banco Master, o banco liquidado no centro do maior escândalo de fraude bancária da história do Brasil.
Parecia uma oportunidade para Flávio, cuja própria candidatura tem sido afetada pela publicação de mensagens de áudio vazadas que o ligam ao ex-CEO do Banco Master, que está preso.
Michelle, no entanto, publicou o vídeo assim que Jaques Wagner renunciou à função de líder do governo no Senado, desviando a atenção de um caso que havia causado significativa inquietação para Lula e jogando a culpa de volta nos Bolsonaros.
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