Depois de reação da sociedade, TCU recua da ameaça de desfazer liquidação do Master

Presidente do Tribunal de Contas da União, Vital do Rego, disse que somente o Supremo Tribunal Federal pode eventualmente reverter a decisão do Banco Central de liquidar o Master

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Bloomberg — O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU) disse que somente o Supremo Tribunal Federal (STF) pode reverter a decisão do Banco Central de liquidar o Banco Master, em uma sinalização de recuo da ameaça anterior de anular a decisão da autoridade monetária.

Vital do Rego disse à Reuters em uma entrevista publicada na quarta-feira (7) que, por outro lado, embora caiba, em sua visão, ao STF decidir sobre a manutenção da liquidação do Master, o TCU pretende contribuir e disponibilizar aos juízes os resultados de sua investigação sobre a legalidade da operação.

Os comentários de Rego sinalizam que, pelo menos por enquanto, o Banco Central terá uma certa trégua depois que o caso foi alvo de intenso escrutínio e de pressões políticas em Brasília.

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Uma possível reversão da liquidação poderia criar incerteza jurídica para as decisões regulatórias do Banco Central, ao mesmo tempo em que beneficiaria Daniel Vorcaro, ex-CEO e controlador do Master.

Vorcaro está sendo investigado desde que o Banco Central informou às autoridades que havia encontrado evidências de tentativa de fraude na proposta de venda do Master ao Banco de Brasília (BRB).

Os comentários do ministro do TCU também foram feitos depois de críticas de economistas, especialistas em políticas públicas e executivos de mercado sobre o que apontaram ser uma indevida tentativa de interferência do TCU na decisão técnica do Banco Central, com o tribunal extrapolando as suas atribuições; e depois que a imprensa revelou que influenciadores foram pagos para publicar nas mídias sociais críticas aos diretores do Banco Central sobre a condução do caso.

A liquidação do Master é uma das maiores do Brasil, com custos para o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) projetados para chegar a R$ 55 bilhões se outras instituições menores ligadas ao Master também quebrarem.

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Sob alvo de desconfianças no mercado, Master foi uma estrela em ascensão no mundo financeiro brasileiro nos últimos anos: críticos disseram que seu crescimento foi alimentado pela compra de ativos arriscados com pouca transparência.

As conclusões do Banco Central foram encaminhadas à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, que, por sua vez, solicitaram a prisão de Vorcaro e de outros executivos em novembro passado.

Duas alegações separadas de irregularidades também estão sendo investigadas pelas autoridades. Vorcaro, que nega ter cometido qualquer irregularidade, passou onze dias na prisão e foi libertado com uma tornozeleira eletrônica.

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