Corrida presidencial se acirra com empate técnico de Flávio e Lula nas pesquisas

Vantagem do presidente se reduziu nas últimas pesquisas eleitorais após acusações contra Lulinha e desaceleração da economia; Lula e Flávio aparecem empatados tecnicamente em um cenário de segundo turno na pesquisa Quaest divulgada nesta quarta

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Bloomberg — A corrida presidencial do Brasil tornou-se uma disputa indefinida a um mês da eleição, enquanto a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se dissipa nas pesquisas eleitorais diante da desaceleração da economia e das consequências das acusações contra seu filho.

Uma pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (2) mostrou Lula à frente do senador Flávio Bolsonaro por 42% a 41% em um cenário de segundo turno, um empate técnico numa disputa que o atual presidente liderava com folga em julho.

Lula estava à frente por uma margem maior numa pesquisa AtlasIntel divulgada na segunda-feira (31), e os mercados de apostas ainda o consideram um ligeiro favorito para vencer a reeleição. Mas as pesquisas mostraram consistentemente que Flávio Bolsonaro ganhou terreno, alimentando uma sensação de fôlego repentino por trás do adversário de direita, cuja campanha estava atolada em turbulência havia apenas um mês.

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O real brasileiro subiu quase 1% ante o dólar, enquanto o Ibovespa registrou seu maior avanço intradia desde março — ambos entre os melhores desempenhos do mundo na quarta-feira. Os investidores manifestaram preocupações crescentes com a abordagem de Lula em relação à política fiscal caso ele vença a reeleição.

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No início deste ano, Lula disparou para a liderança na esteira de revelações de que Flávio, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, havia buscado dinheiro para um filme sobre o pai com Daniel Vorcaro, o ex-dono do Banco Master no centro de uma ampla investigação de fraude bancária.

Mas as pesquisas recentes sugerem que Lula agora sofre politicamente com as investigações sobre seu filho Fábio Luís Lula da Silva, que enfrenta uma apuração federal sobre acusações de corrupção e tráfico de influência.

Lulinha, como Fábio Luís é conhecido, negou irregularidades. Lula, que não foi ligado ao caso, disse que não protegerá o filho da investigação, mas acredita que ele é inocente.

As acusações são especialmente arriscadas para Lula, de 80 anos, porque ameaçam reavivar na memória dos eleitores os escândalos de corrupção do passado que mancharam seu movimento político e o levaram à prisão por condenações por corrupção que foram posteriormente anuladas.

A economia, que por muito tempo serviu de cartão de visita do presidente de esquerda, enquanto isso, começa a perder força conforme os juros altos pesam sobre o crescimento.

Dados publicados na semana passada mostraram que o país criou em julho o menor número de empregos de qualquer mês deste ano, enquanto a taxa de inadimplência do crédito pessoal atingiu seu maior nível desde 2009, apesar dos esforços de Lula para estimular o crescimento e oferecer alívio aos eleitores antes da eleição.

Lula recorre ao Congresso

Agora, o líder veterano recorre ao Congresso numa tentativa de recuperar o fôlego. Os parlamentares devem votar esta semana um conjunto de prioridades legislativas de Lula, depois que ele contornou uma disputa com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

A maior é um projeto para reduzir a jornada de trabalho padrão para cinco dias sem mudança na remuneração, uma proposta emblemática que o ex-sindicalista colocou no centro de seu discurso aos eleitores. Uma comissão do Senado analisa a legislação na quarta-feira, potencialmente abrindo caminho para uma votação no plenário ainda esta semana.

Isso colocou Flávio Bolsonaro numa enrascada. Uma pesquisa Quaest divulgada em julho apontou que 69% dos brasileiros apoiam a medida, tornando difícil para o senador e seus aliados se oporem à legislação, mesmo que sua aprovação entregue a Lula uma vitória no meio da disputa.

Bolsonaro fez uma pausa na campanha na terça-feira para retornar ao Senado, onde buscou um meio-termo com uma proposta que dá aos trabalhadores a liberdade de negociar seus próprios horários com os empregadores.

Mas os esforços de seus aliados para atrasar os trâmites legislativos não parecem estar dando resultado.

Espera-se também que os senadores votem esta semana uma legislação de segurança pública, uma tentativa de Lula de neutralizar a vantagem de Bolsonaro numa das principais preocupações dos brasileiros e enfrentar as percepções de que ele é leniente com o crime.

Uma medida para eliminar um imposto sobre importações de baixo valor também está na pauta. A taxa, que Lula instituiu numa tentativa de ajudar os varejistas brasileiros a competir com os rivais asiáticos, tornou-se uma das iniciativas menos populares de seu governo. Ele a revogou no início deste ano, mas precisa que os senadores aprovem essa medida para impedir que o imposto volte a vigorar antes da eleição.

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Flávio Bolsonaro voltou sua atenção para outro tema na terça-feira, depois que mensagens vazadas pareceram aprofundar os vínculos do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes com Vorcaro, jogando o magistrado de volta ao centro da saga do Banco Master.

Moraes frequentemente atraiu a ira dos conservadores, que o acusaram de censura durante uma cruzada contra as chamadas fake news nas redes sociais, enquanto seu papel de destaque na condenação de Jair Bolsonaro por acusações de tentativa de golpe ajudou a alimentar percepções entre os eleitores de que o magistrado é um aliado próximo de Lula.

Lula tentou se distanciar de Moraes no início deste ano. Mas os vazamentos deram a Bolsonaro a chance de desviar o foco de seus próprios vínculos com Vorcaro, que são alvo de investigação federal, e o senador tem buscado ansiosamente atrelar o magistrado de volta ao presidente.

“Fora Lula, fora Moraes!”, disse Bolsonaro numa publicação em rede social na manhã de quarta-feira, instando os apoiadores a comparecer a um comício de campanha em 7 de setembro em São Paulo.

A Quaest entrevistou 2.004 pessoas de 30 de agosto a 1º de setembro. A pesquisa tem margem de erro de mais ou menos 2 pontos percentuais.

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