Bloomberg — O Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, ampliou o acesso da Polícia Federal a uma investigação de fraude no Banco Master, o que permite efetivamente que as autoridades aprofundem a investigação que abalou os sistemas político e financeiro do país.
Em uma decisão tomada na noite de quinta-feira, Mendonça autorizou a Polícia Federal a realizar procedimentos investigativos de rotina no caso Master, incluindo a oitiva de suspeitos e testemunhas.
Ele também diminuiu as restrições de confidencialidade e permitiu que as autoridades compartilhassem internamente documentos relacionados à investigação para agilizar seu trabalho.
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Embora Mendonça tenha determinado que a polícia precisará de sua autorização para abrir novas frentes de investigação, a decisão aliviará significativamente as restrições que o Ministro Dias Toffoli impôs ao caso depois que o Banco Central do Brasil liquidou o Master após sua própria investigação sobre suposta fraude financeira.
A decisão foi tomada em meio a um exame minucioso da forma como Toffoli lidou com a saga da Master, que provocou ondas de choque nas instituições de elite do Brasil e levou o Supremo Tribunal Federal à beira de sua mais profunda crise de credibilidade desde o retorno do país ao regime democrático, há quatro décadas.
Mendonça assumiu o comando do caso na semana passada, quando Toffoli renunciou à supervisão depois que um relatório da Polícia Federal levantou dúvidas sobre suas ligações com o credor e seu principal executivo, Daniel Vorcaro.
O relatório alegou que Toffoli mantinha um relacionamento com Vorcaro, um executivo com a reputação de cultivar laços com políticos poderosos e altos funcionários da capital brasileira.
O relatório também citou transferências financeiras ligadas à venda de um hotel resort parcialmente pertencente à justiça para fundos de investimento ligados ao Banco Master.
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Toffoli negou qualquer irregularidade, mas o relatório aumentou a controvérsia que envolveu o caso desde que ele o colocou sob a jurisdição da Suprema Corte no final do ano passado.
Depois que o banco central concluiu sua investigação administrativa e encaminhou as provas à Polícia Federal e aos promotores - uma medida que levou à prisão de Vorcaro e, posteriormente, à sua libertação sob monitoramento eletrônico - Toffoli interveio, citando argumentos da defesa de que as medidas investigativas poderiam envolver indivíduos com imunidade parlamentar.
Posteriormente, ele emitiu uma série de ordens variáveis que regem o acesso às provas, em um ponto colocando documentos e dispositivos eletrônicos sob o selo da Suprema Corte antes de transferi-los para os promotores e, por fim, restringindo o acesso a um pequeno grupo de especialistas forenses da Polícia Federal.
A decisão de Mendonça também permite que a Polícia Federal mantenha a custódia do material coletado durante as investigações, alterando a ordem de Toffoli de que o material fosse enviado ao Ministério Público Federal.
As autoridades disseram ao tribunal que estão analisando cerca de 100 dispositivos eletrônicos e solicitaram um acesso interno mais amplo para concluir sua análise técnica.
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