BRB busca saídas para recompor capital antes do fim de março, diz fonte

Segundo uma pessoa familiarizada com o assunto que falou com a Bloomberg News, banco precisa resolver seu déficit de capital até 31 de março ou corre o risco de enfrentar limites prudenciais mais rígidos do Banco Central

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Bloomberg — O governo do Distrito Federal busca maneiras de recompor o capital de seu banco estatal enquanto a instituição enfrenta problemas decorrentes de negócios realizados com o Banco Master.

O Banco de Brasília (BRB) precisa resolver seu déficit de capital até 31 de março, ou corre o risco de enfrentar limites prudenciais mais rígidos do Banco Central, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto que falou com a Bloomberg News pediu para não ser identificada por se tratar de informações privadas.

O prazo aumenta a pressão sobre o governo local para encontrar formas de tapar o rombo deixado pela exposição do BRB ao Banco Master.

Uma das soluções propostas pelo Distrito Federal prevê a transferência de ativos públicos para o BRB, de acordo com um projeto de lei enviado à Câmara Legislativa na sexta-feira.

Esses ativos poderiam então ser usados como garantia para empréstimos ao banco. O projeto não especifica quanto o BRB poderia obter com essas operações.

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O banco regional, um dos poucos desse tipo ainda existentes no Brasil, já vendeu alguns ativos para recompor seu balanço após a quebra do Banco Master deixá-lo diante de prejuízos. Mas as vendas realizadas até agora estão longe de ser suficientes para compensar os danos.

O BRB está operando normalmente, com estrutura sólida e governança reforçada, afirmou o banco em comunicado enviado por e-mail no sábado (21).

Antes de ser liquidado, o Master vendeu carteiras de crédito ao BRB em 2024 para reforçar suas finanças, em operações que somaram quase R$ 13 bilhões, segundo autoridades brasileiras.

O regulador brasileiro notificou autoridades sobre as operações no ano passado enquanto analisava a proposta de aquisição do Banco Master pelo BRB — negócio que foi posteriormente rejeitado pelo Banco Central.

Nos últimos meses, os fundos adquiridos pelo BRB passaram a apresentar maior risco. Um dos investimentos estava ligado a recebíveis da fintech Jeitto Meios de Pagamento. O fundo, gerido pelo Master, informou em novembro que a fintech não estava pagando suas dívidas, resultando em altas taxas de inadimplência.

Um representante da Jeitto não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Quando o Banco Master finalmente foi alvo de liquidação, o BRB ficou com um rombo de R$ 5 bilhões devido aos negócios com a instituição, afirmou o diretor de Supervisão do Banco Central, Ailton de Aquino, à Polícia Federal em audiência realizada em dezembro. Mas o valor agora é maior, segundo a fonte.

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No ano passado, a decisão do BRB de adquirir ativos do Banco Master foi defendida pelo governador Ibaneis Rocha, que afirmou na época que a transação fortalecia a carteira do banco. Agora, porém, o relacionamento resultou em perdas significativas para o BRB, intensificando o escrutínio sobre a adequação de capital da instituição controlada pelo governo do Distrito Federal.

Transferir ativos públicos para cobrir o rombo do BRB é politicamente delicado para Ibaneis, que se prepara para disputar uma vaga no Senado neste ano. Mas o governo local precisa de uma solução, já que regulamentações mais rígidas estão no horizonte.

De acordo com as regras do Banco Central, isso pode incluir limites às operações do banco, à abertura de agências e à distribuição de lucros.

O prazo de 31 de março foi divulgado primeiro pelo jornal O Estado de S. Paulo. O BRB está entre as 30 maiores instituições financeiras do Brasil, segundo dados do Banco Central referentes a setembro.

Will Bank

O BRB substituiu parte dos ativos das operações de carteira que realizou com o Banco Master. Mas os outros ativos utilizados como substituição nem sempre têm sido os mais estáveis. Alguns deles incluem operações da Will Financeira, fintech controlada pelo Banco Master que foi liquidada em janeiro.

Representantes do ex-presidente-executivo do Master, Daniel Vorcaro, não comentaram. Um representante do ex-CEO do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou que ele nega as alegações de irregularidades relacionadas ao seu período à frente do banco.

Após investigação policial em novembro, o BRB contratou uma investigação independente para avaliar seus vínculos com o Master. Um relatório preliminar foi enviado à polícia e ao Banco Central, informou o banco no início de fevereiro.

Outros laços entre o Banco Master e o BRB ficaram mais claros nos últimos meses. João Carlos Mansur, que fundou a Reag, gestora de ativos com vínculos com o Banco Master, é acionista do BRB, segundo um comunicado regulatório de fevereiro.

A Reag também está sendo investigada por autoridades brasileiras por supostos vínculos com grupos do crime organizado.

Um representante de Mansur não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

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